Tácticas: FK Áustria, o renascimento austríaco

23 de Março de 2005
Após várias épocas longe dos grandes palcos, a Áustria voltou a ter uma equipa atraente. Tacticamente emoldurada em 4x4x2, revela um excelente controle de bola a meio campo, marcando o ritmo no centro (Blanchard-Kiesenebner), e dinamiza todo o seu jogo ofensivo com uma dupla de alas checos muito inteligente (Sionko-Vachousek).
Contrariando a crise futebolística que assola, desde há uma década, todo o país das valsas, emergiu, esta época, uma bela equipa austríaca, apurada para os quartos-final da Taça UEFA (após afastar Ath.Bilbao e Saragoça) jogando sempre um futebol atraente e bem desenhado: o FK Áustria, congeminado por um técnico dinamarquês, esta época vindo de Salzburg, Lars Sondergaard, que, apesar de habitualmente só contar com quatro austríacos no onze titular, devolveu a Viena o encanto do futebol.
Tacticamente enquadrado num dinâmico 4x4x2, revela um excelente controle de bola a meio campo, marcando o ritmo na zona central com dos médios volantes muito adultos, o veterano francês Blanchard, seguro a passar curto e preciso nos lançamentos longos, e, com missões mais defensivas, o trinco Kiesenebner, muito disciplinado tacticamente. Ambos sabem entregar, com critério, a bola aos flancos, zona por onde a equipa dinamiza todo o seu jogo ofensivo, com uma dupla de alas checos muito inteligente: Sionko, á direita, excelente a subir ao ataque em triangulações, muitas vezes quase parece um segundo avançado, embora lhe falte, talvez, um pouco de agressividade, e Vachousek, á esquerda, com características mais de extremo, dando grande profundidade de jogo pela faixa, procurando a linha para cruzar. Na defesa, alinha dois centrais robustos, o sueco Antonsson, stopper de marcação, muito forte no jogo aéreo, e o nigeriano Afolabi, mais rápido mas com menor sentido posicional, apoiados por dois laterais sempre atentos nas compensações defesa-ataque: o bósnio Papac, á esquerda, rápido e ofensivo, e Dospel, á direita, de recorte mais defensivo. Em termos ofensivos, sempre á espera das assistências dos alas, combiana jogadores de características diferentes: o possante Rushfeldt, que gosta de entrar em força, e os esquivos Gilecwicz, que também pode jogar como extremo-esquerdo, e Dosunmu, um nigeriano vindo de seis épocas na Bélgica (Denderhoutem, Molenbeeck, Mechelen e Westerlo) rápido e muito difícil de marcar. Outra solução é o veterano Vastic, 35 anos, muito inteligente a jogar entre linhas nas costas do ponta-de-lança, que após passar pelo Japão, regressa á Áustria para um excelente final de carreira, cujo ponto alto se situou nas oito épocas (de 1994 a 2002) passadas no Sturm Graz, que guiado pela sua batuta, se tornou numa das maiores potências do futebol austríaco na década de 90. Nos próximos jogos europeus, contra o Parma, terá porém a grave baixa do guarda redes croata Didulica, expulso em Saragoça, substituído pelo húngaro Safar que revelou então uma insegurança arrepiante.

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