
Distraída com palcos mais mediáticos, a Europa ainda não reparou que em Munique está a nascer, friamente, um novo onze alemão de grande personalidade: o Bayern de Magath, carrasco de mais um sonho europeu destruído do Arsenal de Wenger, em dois jogos que mostraram, claramente, em duas versões, a força competitiva do onze bávaro.
No primeira mão, em Munique, alinhou num 4x4x2 com dois médios centro (Demichelis, trinco, e Frings, saindo a organizar), alas de vocação ofensiva pelas faixas (Salihamidzic, á direita, Zé Roberto, á esquerda) e dois pontas de lança móveis, ora em cunha, ora entrando deambulando por fora (Makaay-Pizarro).
O grande segredo, porém, morou no fechar de espaços, visto o Arsenal ser, essencialmente, uma equipa pensada para o futebol rápido, só que o Bayern nunca lhe deu espaços para correr (sobretudo depois de estar ganhar desde os quatro minutos).
No segundo jogo, sem Frings, foi Ballack que assumiu a missão de volante ao lado de Demichelis. Nas alas, Salihamidzic manteve-se na direita, e Deisler surgiu na esquerda. Repetindo o 4x4x2, manteve sempre dois pontas de lança em campo, mas jogou, no entanto, com as linhas do meio campo mais recuadas, o que se detectou sobretudo na acção dos médios alas. Em vez de procurarem incutir profundidade atacante pelos flancos, em Londres, preocuparam-se sobretudo em fechar a faixa aos extremos-flanqueadores do Arsenal (Reys-Ljungberg, e, depois, Pires-Van Persie).
Ou seja, sem ter necessidade de recuar para 4x5x1, como parecia provável, conseguiu, assim, mantendo o 4x4x2, ganhar, igualmente, superioridade numérica em todas as zonas do meio campo.
Um sistema que, diga-se, contrasta com o utilizado na Bundesliga, onde joga num 4x4x2 em rombo e apenas um trinco.
Em todas as posturas, a atacar ou a defender, manteve sempre a mesma personalidade glacial, baseada num meio campo de grande potência muscular e frieza táctica. Sabe sempre para o que joga e nunca perde o controle emocional. Está aqui um verdadeiro candidato ao titulo europeu.