Tácticas: O CSKA de Artur Jorge

27 de Maio de 2004
Mais criativo e veloz, menos virtuoso e mais rígido tacticamente. Ou seja, assumir o jogo ou controlá-lo à distância. Nestes dois estilos espelham-se as duas faces do actual CSKA Artur Jorge.
Na semana em que, 17 anos depois de Viena, o FC Porto reconquistou o titulo de campeão europeu, um homem, também em Gelsenkirchen, terá sido tocado por um sentimento nostálgico: Artur Jorge. Após, qual trota mundos, ter caminhado, ao longo das épocas, por vários clubes, está hoje na Rússia, no CSKA Moscovo. Recuando a 1987, não custa admitir que todos prevíamos, nesse momento, uma carreira algo diferente. Menos tumultos, mais vitórias, uma, digamos, mais pensada gestão de carreira, e, no limite, que não estivesse hoje quase como que forçado a rumar a relvados russos para ter um projecto competitivamente capaz de manter-se nas maiores provas europeias. Um dos aspectos mais importantes na construção do jogo colectivo de uma equipa, reside, desde o inicio, na sua correcta distribuição posicional sobre o campo, de forma a, com este rigor, ocupar e tentar controlar todas as zonas e espaços do terreno. Depois, dependendo sobretudo das características das suas individualidades, essa ocupação dos espaços poderá adquirir várias formas e dinâmicas. Mais criativo e veloz, menos virtuoso e mais rígido tacticamente. Ou seja, assumir o jogo ou controlá-lo à distância. Nestes dois estilos espelham-se as duas faces do actual CSKA do Rei Artur, uma equipa perfeita táctico-posicionalmente, mas, por outro lado, muitas vezes demasiado presa de movimentos a esse design inicial, apostando, primeiro, na disciplina táctica, e só depois, na criatividade individual. Assim, tendo em conta esta personalidade híbrida, como sistema de referência, frente a adversários fortes, Artur Jorge aposta num coeso 4x1x4x1 que, depois, na dinâmica, varia entre o 4x1x3x2 e o 4x3x2x1. A grande transformação é feita, porém, quando mexe nos intérpretes do sistema a meio campo. Para jogar cerebralmente, segurando o jogo, actuam Zhirkov, ala esquerdo e Rahimic, central ou trinco. Para dar velocidade e criatividade ofensiva, entram Daniel Carvalho e Jarosik. Num ápice, tudo muda, e o CSKA volta a ser um campeão digno da história russa.

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