Tácticas: O Olympiakos de Rivaldo

3 de Dezembro de 2004
Após quase dois anos sem jogar, Rivaldo regressou aos relvados na Grécia, com as cores do Olympiakos. O estilo permanece igual, mas, aos 32 anos, a velocidade não é a mesma. No 4x4x2 de Bajevic joga sem tarefas de marcação, quase a passo, como estrela de um onze desiquilibrado mas traiçoeiro nas bruscas mudanças de ritmo. Este é o seu retracto.

O SISTEMA TÁCTICO: 4X4X2 (Variante: 4x2x2x1x1)

Depois de dois anos quase sem jogar, Rivaldo regressou á elite futebolística na Grécia, com a camisola do Olympiakos. O porte inestético que parece fazer os seus pés dominar a bola como se lhe pegasse com um alicate, permanece igual, mas a longa ausência e o peso da idade, 32 anos, retirou-lhe a velocidade de outrora. Ou seja, continua a rapidez de imaginação na mente, mas, traiçoeiras, as pernas já não lhe seguem o ritmo. Quando tem espaço, continua igual. Esse tempo para brilhar só surge, porem, em jogos menos intensos da Liga grega, onde a sua arte de passe, drible e remate já emergiu com beleza. Na dureza da Liga dos Campeões é que é outro Rivaldo. Mais lento, por vezes parece perdido em campo, à espera que alguma bola ao passar por ele o reconheça e, por delicadeza, pare e vá ter com a sua chuteira divina. Ciente deste novo Rivaldo, o técnico Bajevic costuma colocá-lo na frente de ataque, muito perto do ponta de lança, sem tarefas de recuperação, num sistema de 4x2x3x1 ou 4x2x2x1x1 no qual também brilha, quase sempre a passo, outro brasileiro, Giovanni, descaído para a direita. Encaixado entre a lentidão açucarada dos dois brasileiros, Rivaldo e Giovanni, o resto do onze tem de correr a dobrar. É, neste prisma, uma equipa desquilibrada em termos de ritmo, vivendo sobretudo, em termos colectivos, do labor operário dos dois trincos e da inteligência táctica, nas faixas, a atacar e a fechar espaços a defender, dos laterais e médios-ala.
Assim, á frente da defesa, destaca-se a dupla de volantes Stoltidis-Kafes. Tem estilos diferentes. Stoltidis enche o campo. Corta, recupera e distribui. As suas jogadas nunca aparecem nos resumos, mas sem elas nada mais funciona. É ele que, com Djordevic na ala esquerda, carrega a equipa ás costas para o ataque. Kafes sobe mais, buscando espaços de penetração. Não é muito forte fisicamente, mas ganha muitas bolas divididas. Na ala esquerda, Djordevic é um transportador de bola fabuloso, á frente dos laterais ofensivos Giorgatos ou Pantos (que também pode jogar á direita, faixa entregue a Mayrogenios, atrás de Giovanni, que, quando perde o fôlego, é substituído por Maric, tal como na esquerda, a serpente Castilo, um jovem colombiano rompedor, muito astuto a ganhar faltas, alterna com Djordevic. No ataque, um ponta de lança muito móvel, Okas, tanto joga entre os centrais como desaparece para buscar bolas aos locais mais inóspitos do meio campo, enquanto Rivaldo assiste com uma bilhete de luxo para entrar no campo.

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