Quando, no inicio da época, chegou a White Hart Lane, Frank Arnesen, o novo manager dinamarquês, trazia uma ideia de futebol ofensivo. Montou a equipa e apostou em Santini para a orientar. Realista, o técnico gaulês ergueu, então, um onze estruturalmente defensivo, esquematizado em 4x5x1, com defesa reforçada e meio campo recuado. No ataque, sozinho, Defoe.
As jornadas foram passando e, mais do que os fracos resultados, o que preocupava Arnensen e os adeptos era o jogo negativo praticado, até que, á 12ª jornada (atolado no 11º lugar, após cinco derrotas em seis jogos), decidiu demitir Santini e entregar a equipa ao adjunto que também trouxera consigo no inicio: o holandês Martin Jol, que, na Holanda, treinara seis épocas RKC Waalwijck, praticando sempre um belo futebol ofensivo, ao estilo da escola laranja.
Num ápice, o Tottenham mudou de face. De equipa fechada, tornou-se um onze aberto, esquematizado num atraente 4x3x3 desenhado em triângulos de construção ofensiva: 10 jogos, 6 vitórias, 2 empates, 22 golos marcados, 10 sofridos e os spurs saltaram para o 7ºlugar, constituindo hoje uma das equipas mais empolgantes do futebol inglês.
Inteligente, De Jol manteve a base do quarteto defensivo (Paramot, lateral direito, Naybet-King, centrais, e Edman, que recuperou o lugar de lateral esquerdo, alternado com Atouba, que também pode jogar a médio-ala), mas, no meio campo, Pedro Mendes, o farol do onze, passou a ter novos companheiros. Assim, no lugar de Davis e o do galês Simon Davies, surgiram as apostas em Marvney, ala-interior direito, Carrick, volante central, e Ziegler, ala-extremo esquerdo. Ao mesmo tempo, resgatou Rickets que estava emprestado ao Coventry e Brown passou a jogar mais vezes no centro.
No ataque, Defoe passou a sentir mais a companhia de Keane ou Kanouté, na busca pelo golo.
Portanto, já sabem, se querem ver bom futebol ofensivo, procurem um jogo do Tottenham e ficam a conhecer Martin Jol, um treinador holandês que surgiu, quase sem ninguém reparar, no coração do futebol inglês.
TOTTENHAM: SISTEMA: 4x4x2 (4x3x3)

Equipa utilzada frente ao Everton, em casa (vitória por 5-2). No papel, um clássico 4x4x2, mas, na dinâmica de jogo, transforma-se, muitas vezes, ou num claro 4x3x3, sobretudo devido ás subidas pela esquerda, quase como se fose um extremo, de Ziegler, enquanto Marvney se adianta pela direita, embora com maior tendência para flectir no terreno e rasgar pelo centro. Foi ele, aliás, a grande revelação, pois fazia, neste jogo, a sua estreia, esta época, na Premiere League.
Carrick surge pelo centro, apoiando a defender Pedro Mendes, o grande pivot da equipa, organiza a saída da bola e sua circulação na construção ofensiva.
No ataque, Defoe e Keane, são dois avançados em permanente movimento, muito dificeis de marcar em cima e exímios a desmarcarem-se, com criatividade, nos espaços vazios.
Em termos defensivos, nota para o excelente guarda redes Paul Robinson, já titular da selecção inglesa, onde também pretende chegar o central King, muito forte no corte e na intercepção de linhas de passe.
