Uma questão de “motivação…táctica”

16 de Agosto de 2010 11:46
O complexo de superioridade e a motivação adversária condicionam qualquer jogo que, depois, se decide na…táctica!

A motivação é um conceito aplicável a uma infinidade de contextos. Existe um sentido comum, mas, por si só, é um conceito limitado que necessita de enquadramento adequado para sair do seu curto espaço de vida. No fundo, motivação é a intenção de alterar um comportamento. Antes da Super Taça, quando olhares desconfiados se viravam para a equipa do FC Porto, Villas Boas falou da questão motivacional para, nesse dia, as coisas serem diferentes. E, foram, sem dúvida. A sua expressão no «jogo real» (o que se joga mesmo e não aquele que apenas se imagina) relaciona-se, porém, mais com comportamentos do que com intenções. Ou seja, a motivação teve transfer táctico e tocou nos pontos mais sensíveis que os jogos da pré-época portista tinham mostrado, dando à equipa o que ela antes não tinha revelado: capacidade de pressão alta (momento de transição/organização defensiva) e veloz circulação ofensiva de bola.
Se a motivação, por si só, fosse a base, talvez a Nova Zelândia tivesse sido campeã do mundo ou o Paços de Zé Mota tivesse ganho um campeonato. O FC Porto de Villas Boas ganhou pela motivação…táctica. Um 4x3x3 com pressão alta. A palavra «pressão» como base. E, com ela, cruza-se a ideia da outra equipa, do seu comportamento. Neste caso, o Benfica de Jesus.
 
Pressionar de forma correcta está directamente relacionado com a ideia de que um jogador adversário (bem) pressionado é um jogador acossado a quem se retira tempo para pensar e executar. Para o fazer eficazmente, a equipa pressionante deve resistir à tentação de se precipitar em querer recuperar a bola. Uma pressão colectiva, nunca passiva ou de espera, sempre activa, como antecâmara de acção… ofensiva.
A defesa (entenda-se sector defensivo) do FC Porto melhorou (ou pareceu melhor) porque melhorou o processo defensivo global de toda a equipa. O aumento de capacidade de pressão, desde outros sectores mais adiantados, como que filtrou as bolas que depois chegavam à área. O jogo ofensivo (entenda-se todo o processo atacante da equipa) do Benfica decresceu (reduziu capacidade de criar desequilíbrios) porque perdeu referências de posicionamento (capacidade de se reequilibrar rapidamente quando perde a bola, com médios fortes – pelo menos um – na transição defensiva) e profundidade (a questão dos flancos, o extremo perdido e incapacidade de saltar a pressão adversária no corredor central, local preferencial para o esquema de Jesus destabilizar e furar as defesas adversárias entre-linhas).
 
Mas, claro, isto é só um jogo. Apenas com motivação não se pode ganhar/jogar durante 10 meses. Fórmula: antecipação mental/visual + estrutura zonal de pressão colectiva + aumento do ritmo de jogo em posse. Olhando para o adversário, pode-se, aplicando a mesma equação no sentido contrário, olhar para as falhas de atitude…táctica. Pode o princípio estar no baixar dos índices de motivação (complexo de superioridade). Tudo isto, porém, tem transfer táctico para o jogo. No posicionamento e movimentação dos jogadores (equipa).
 

 

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