Hajduk Split vs Dinamo Zagreb, o grande clássico croata. Não vale a pena pensar mais na velha Jugoslávia e no que se perdeu ao desintegrar-se o chamado Brasil da Europa. A Croácia tem identidade própria, mas, em termos de clubes, é impossível competir ao mais alto nível. Os melhores jogadores saem. São, porém, duas equipas interessantes. Jogam ambas em 4x2x3x1. O Hajduk, mais puro no sentido estilístico croata, cruzando o carácter lutador com a técnica nata. Ibricic, médio nº10 que abre os braços quando pega na bola, como dizendo “este espaço agora é meu”, é quem manda na equipa, mas é Sharbini, avançado móvel, que abre as luzes da equipa a atacar. À primeira vista até pode parecer meio brinca na areia mas, após ver vários jogos dele, chego à conclusão que não. Arranca quase sempre da esquerda e tem grande objectividade, repentista e com remate. Com 23 anos, é o maior enigma em campo. Porque ainda não saiu da Croácia? Como ponta-de-lança, Vukusic tem um estilo parecido, mas menos técnico.
O Dinamo Zagreb é um onze mais tecnicista, devido aos três brasileiros que, embora todos há varias épocas na Croácia, coloca na segunda linha do meio-campo: Sammir a 10, Etto e Dodo nas faixas. Todos já incorporaram o espírito europeu. Nenhum é um extremo puro, nem abusam das fintas, mas é Sammir quem manda no jogo. Se aumentar o seu ritmo, é craque para dar o salto. Só tem 23 anos.
Mas claro que para além das melhores equipas no melhor ambiente (ficou 1-1) existe muito mais futebol escondido nas Balcãs. Quando a seguir vejo o Rijeka vs Slaven Belupo, outro jogo da Liga croata (vi cinco seguidos) nota-se como a chamada segunda linha tem um nível competitivo muito baixo. Estádios modestos e pouco público. Na relva, tem de ser de lanterna em punho para descobrir bons jogadores, mas, diga-se, gostei da equipa de Belupo (que até perdeu 2-1) com dois bons avançados: Vijnovic e Delic. Tenho de os ver outra vez.
O Rijeka é uma equipa que simboliza bem as profundezas reais do futebol croata. Basta ver como o baixinho Stroch, médio-centro ofensivo já nos 30 anos, claramente com peso a mais, consegue, com uma pomposa barriguita, controlar o jogo todo a meio-campo, ir marcar os cantos e ainda chegar à área fazendo o golo da vitória. Vejo ainda jogos do Zapresic (uma sombra errante em campo) e do Karlovac (gostei de Spisic, meio médio/meio avançado).
Em termos de selecção, com campo de recrutamento curto, a Croácia depende do melhor cocktail geracional que conseguir reunir. Só, porém, se revitalizar a sua formação (que nos anos 90 deu Suker, Boban, Prosinecki, etc) poderá voltar, também, a erguer os seus clubes.