Uruguai: O milagre do Danúbio

17 de Março de 2005
Quebrando o histórico dominio de Peñarol e Nacional, o Danubio, pequeno clube da velha Montevideo, uma referêcia no futebol formação, sagrou-se, pela segunda vez na sua história, campeão «charrúa». Agora, sonha fazer história na Copa Libertadores...
É a nova grande força do futebol uruguaio. Quebrando o histórico domínio de Peñarol (36 títulos) e Nacional (28), uma das grandes atracções da Copa Libertadores desta época reside no novo campeão charrúa, o Danubio, pequeno clube da velha Montevideo, que conquistou, em 2004, o segundo titulo nacional da sua história. O outro fora em 1988, então com o artilheiro Da Silva. Numa altura em que o Uruguai busca reencontrar-se com os dias e glória do passado, num processo que, em termos de estilo de jogo, colocou em confronto duas correntes, a dos anos 80/90, demasiado agressiva, e a dos novos tempos, desejosa de resgatar o perfume técnico de outrora, a base do belo futebol charrúa, o Danubio é um exemplo de prospecção e formação. No onze titular, orientado pelo sábio Gerardo Pelusso, oito jogadores saíram das suas escolas, famosa pelo jogo explosivo e tecnicista e que, nos ultima década, já dera talentos como Ruben Sosa, Recoba, Zalayeta e El Pollo Olivera, actuais estrelas da Juventus. Para provar esta vocação de clube formador, diga-se que para além do histórico titulo sénior, também conquistou, na época passada, três dos cinco torneios disputados nas diferentes escalões etários das camadas jovens. No primeiro grandes teste internacional, mantendo equipa a base da época passada, perdeu, depois de vencer o Bolivar e o Deportivo Quito, com o Santos (3-2), em Vila Belmiro, num jogo que revelou sempre grande personalidade e bom futebol acabando só por ceder no último minuto, com um golo de penalty.
Na baliza tem o patriarcal Barbat, 36 anos e na defesa mandam dois brasileiros, o central Luciano Barbosa, 32, conhecido por Cafú (há já 10 anos no Uruguai, e que na época transacta jogou na China) e o gigante Jadson, 23, uma torre que domina todo o espaço aéreo, apoiados pelo pibe Pablo Melo, 22, vindo este ano do Cerro para substituir Guillermo Rodriguez, 20, belo lateral esquerdo, que rumou ao Atlas do México. A meio campo, enquanto Omar Pouso luta, Ignacio Gonzalez constrói, lançando a perigosa dupla atacante composta pela promessa Juan Salgueiro, 21 anos, e o esguio nº9 Ignacio Risso (1,89m.), algo inestético mas com grande presença na área e oportuno de cabeça. Ele é o goleador de um onze que sonha, agora, fazer história na Copa Libertadores.

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