Continua por resolver o estranho caso da busca de um treinador para a selecção alemã. Receosos da crise geracional que o futebol teutónico atravessa, todos os seus grandes nomes, de Rehhagel a Hitzfeld, recusaram o pesado cargo. A solução parece ir passar por um estrangeiro ou pela aposta num ex-jogador sem provas, Klinsman, mas, face ao observado nos últimos quatro anos, há um homem que, mesmo sem experiência á frente de um clube, incorporou na perfeição todos os requisitos: Rudi Voller, um excelente treinador, técnica e tacticamente, como provou de 2000 a 2004, período no qual soube maquilhar com categoria a enorme crise de valores que afecta a Alemanha. No plano humano, recordando os tempos de jogador, ponta de lança da última selecção alemã campeã mundial em 90, também seria o ideal, respeitado pelos jogadores e admirado pelos adeptos que sabem não ser sua responsabilidade os recentes maus resultados da Manschaft. Antes pelo contrário, foi graças á sua sagacidade, mesmo por vezes tendo de recuar no terreno, jogando com apenas um avançado fixo, que a Alemanha, apesar de eliminada na primeira fase, manteve-se competitivamente ao mais alto nível. A sua versatilidade táctica, algo pouco vulgar no futebol alemão, ficou evidente no Euro-2004, quando em três jogos testou, conforme o adversário três sistemas com dinâmicas diferentes: Holanda (4x2x3x1) Letónia (4x1x3x2), Republica Checa (3x4x2x1). Embora ainda continue carente de grandes craques e há oito anos que não ganha, na fase final de um Europeu ou Mundial, um jogo a uma selecção europeia (desde a final do Euro-96, frente á Republica Checa), já se sentem alguns ténues sinais de renovação, personificados em nomes como Lahm, Hinkel, Schweinsteiger, Podolski, Friedrich ou Kuranyi.
Pela forma como a sua equipa se move em campo, comunicando com ela durante os noventa minutos, alterando-lhe posições e dinâmicas, Voller é dos casos em que se pressente logo estar-se perante um grande treinador. Indispensável para o futuro do futebol alemão.