É a região futebolística do mundo onde se nota mais o cruzamento entre o talento e o temperamento. Os relvados das Balcãs continuam a abrigar grandes jogadores. Quase todos com um carácter difícil. A Croácia é um bom exemplo. O seu campeonato cruza atmosferas muito distintas no valor das equipas, mas a nível técnico a bola nunca se queixa muito. O Dínamo Zagreb domina, claramente, com um estilo de jogo que combina a técnica com a agressividade (na táctica e na atitude).
Sinal dos tempos, o 10 que mete a técnica na organização de jogo é um brasileiro: Samir. Ele é a placa-giratória ofensiva de um 4x2x3x1 com dois pivots de combate e transporte, procurando sempre dar profundidade pelas faixas. Neste jogo de equilíbrios, o onze de Zagreb esconde vários jogadores de qualidade. Entre eles, à frente da defesa, Ademi, de 19 anos, filho da nova geração do futebol croata, com processos simples de transição. No seu lugar, entra por vezes o camaronês Chago, mais multifunções mas menos rigoroso tacticamente. Ao lado, assumindo o controlo de recuperação e transporte defesa-ataque, a alta intensidade de jogo do argentino Calello, 23 anos, enche o meio-campo a defender e a atacar.
Na defesa, Tonel (ao lado de Barbaric ou Biscan) chefia a zona central, mas o jogador que merece olhar à lupa no futuro é outro exemplar da nova geração: o lateral-direito Vrasaljko, com 18 anos, que também pode jogar mais subido na ala. Na esquerda, a experiencia do argentino Cufre, de 32, é o garante do permanente equilíbrio numérico o sector (ficam sempre, pelo menos, 3 defesas a toda a largura da linha recuada).
Mantem assim o controlo táctico-emocional sempre activo. Algo fundamental para domar os avançados, alas e ponta-de-lança. Assim, nas faixas, Badelj, à direita, 21 anos, é outro bom rebelde, lutador, vai para dentro, não é muito vertical, mas faz o resto da equipa jogar em tabelas, muitas com Samir, ou com Beqiraj, 22, o nº9 do Montenegro, robusto, sai bem da marcação, recua e também apoia os médios ou alas que entram desde trás. Na esquerda, o eslovaco Sylvestr, 21, é o mais rápido do sector, vai à linha e centra, quase extremo típico. Ou seja, neste quarteto Samir-Badelj-Sylvestr-Beqiraj nota-se a permanente noção colectiva de jogo (nas tabelas e na forma quando um deles fica mais apertado com a bola na marcação, logo outro se aproxima para ajudar a resolver a situação).
Seis títulos nacionais consecutivos, marcam o domínio claro do Dínamo Zagreb no futebol croata. Não pode, realisticamente, sonhar em entrar na elite do futebol internacional, mas muitos dos componentes do seu onze titular podem sonhar com isso. Vejam-nos com tenção.