As emoções nascem ou constroem-se?

10 de Janeiro de 2016

Logo no inicio, o Mestalla trazia, numa tarja gigante, uma invulgar memória de elefante: os dois títulos de campeão espanhol de Benitez no Valência.
Não sei o que aconteceu á sua “cabeça” depois disso. Muitos projetos seguintes revelaram inconsistência ou erros de concepção que deixaram uma sensação de fracasso, embora muitas vezes não fosse bem assim. Liverpool e Chelsea contrariam isso em vários momentos. Nunca foi, porém, um treinador preocupado com a imagem. E isso conta muito no (ilusório) futebol moderno.
Treinar o Real Madrid há muito que deixou de ser, como no Barcelona, treinar um estilo de jogo ou até uma equipa. É mais uma missão de controlo e encaixe de egos no mesmo onze.
Ora, este Benitez é o mesmo que começou a “treinar” no inicio da época. Se em algo mudou, foi para se afastar dos seus conceitos (tirar Casimiro, um bom “nº6 táctico” e meter mais um ego ofensivo, James, junto da BBC) e ir ao encontro do circo de estrelas.

Começou a perder a partir dai quando até então era das melhores defesas das últimas décadas no Real e foi despedido quando ainda há uma semana diziam que era a solução.
Mais uma vez, também em Madrid é um lugar-comum dizer que “foram os jogadores que mandaram embora o treinador”. Mourinho também passou pelo mesmo (e também se disse o mesmo agora no Chelsea).
A questão é prévia e está no conceito de clube em que se tornou o Real Madrid que promove todo este status. É verdade que o Real foi sempre um “clube de jogadores” antes dum “clube de treinadores” mas vendo Zidane assumir agora o comando percebe-se como nunca como agora o conceito de autoridade no balneário se esvaziou até pontos insustentáveis.
Ao mesmo tempo, a implosão da carreira de Benitez é a metáfora perfeita da “montanha-russa bomba-relógio” em que o futebol se tornou, capaz de fazer um campão europeu num mero “treinador gordo que não percebia nada de futebol”.