As equipas que atacam melhor são as que melhor… defendem!

09 de Dezembro de 2014

As equipas que atacam melhor são as que melhor... defendem!

Atacar quando se tem a bola, defender quando se a perde. Se tudo fosse assim tão simples ninguém sofria golos por estar mal colocado defensivamente quando... Perde a bola. Ambos os momentos têm de estar presentes simultaneamente na cabeça dos jogadores. Defender bem é saber contemplar o momento da perda da bola. Reequilibrando-se rapidamente nas posições.

Os italianos e sua forma de pensar influenciaram o mundo com as suas táticas defensivas. Quando se fala disso, pensa-se logo equipas em trincheiras com muitos jogadores atrás. A nível de futebol de top, porém, as grandes equipas nunca ganharam grandes competições assim. O conceito defensivo é muito mais evoluído do que a mera dedução de defender com muita gente.

Ancelotti, discípulo da zona pressionante de Sacchi (o grande upgrade do futebol moderno a nível de ação – e não só reação – defensiva) busca essa fórmula em todas as equipas por onde passa. O atual Real Madrid é, nesse contexto, o novo paradigma. A equipa está agora a defender melhor numa fase em que, olhando o seu onze à frente do quarteto defensivo, não tem nenhum médio defensivo puro. Xabi Alonso saiu, Khedira e lllarramendi não jogam, não puxou mais nenhum central para trinco. Quem joga agora mais atrás (ou desde trás) nos espaços do pivot são Kroos e Isco. Varia entre o 4x4x2 (em para jogos contra adversários mais fortes que pedem estrategicamente maior baixar de linhas e ataques rápidos) e o 4x3x3 (de ataque continuado, com James a jogar por dentro).

Ancelotti confessou-se surpreendido com tanta eficácia defensiva e afirmou que “defender é uma missão de sacrifício em que com uma pressão uniforme tem-se o prémio da recuperação da bola”. Este Real começa a atacar quando defende (e começa a defender quando ataca).

A equipa tem mais bola e (em 4x3x3 ou 4x4x2) impressiona ver cada vez mais as combinações (pequena sociedade ofensiva) entre Benzema e Ronaldo, seja qual deles cair alternadamente na faixa esquerda ou surgir no meio. Qualquer um deles vai à linha e flete quase metendo o nariz na pequena área adversária. Vê então o movimento e contra movimento do colega no centro (que faz que se adianta ou recua e depois faz o movimento oposto no ataque à bola) saindo depois o passe para a antecipação do remate do homem no centro. Mortífero. Reparem bem, com os protagonistas alternados, nos dois últimos golos (ao Basileia, na Champions, combinação Benzema-Ronaldo, e ao Málaga, na Liga, combinação Ronaldo-Benzema).

As equipas que atacam melhor são as que melhor... defendem!O Chelsea de Mourinho desta época torna-se cada vez mais uma máquina de futebol tático porque é coletivamente uma equipa que sabe quando tem de ir pressionar ou quando tem de recuar. Á frente da defesa, a dupla Matic-Fabregas tem a mesma noção de jogo de Kroos-Isco (pós lesão de Modric). É impossível definir algum destes jogadores como médio defensivo puros. Nem Matic, que, embora seja o mais culto a ficar na posição, é um pivot sem esse rótulo, como nunca deve ter qualquer n.º 6 numa grande equipa onde esses espaços são referência de equilíbrio mas também sobretudo de início de construção. Como Busquets explicou em Barcelona, nas duas vertentes. Ou, na história do futebol moderno, o Ancelotti jogador no Milan de Sacchi com Rijkaard por perto. O Bayern de Guardiola perdeu a época passada frente ao Real de Ancelotti ao não entender os momentos em que tem de recuar.

Não se pode pressionar sempre. Se algum treinador pedir isso aos seus jogadores está a apelar ao esforço e não à inteligência e organização que faz a matéria das verdadeiras grandes equipas.