As “Letras e as Vírgulas”

06 de Abril de 2018

A transformação de sistema de referência no Benfica (de 4x4x2 para 4x3x3) teve o efeito de colocar a equipa a jogar melhor e criou dois impactos com destruição de velhos mitos e, talvez, criação de um novo: Jonas pode jogar sozinho como n.9 (sem perder, diga-se, capacidade/possibilidade de ainda ser, a espaços, n.5 ou 10, quando recua um pouco) e Jiménez tornou-se num perfeito... “titular sem jogar de inicio”, isto é, o tipo de jogador que se sabe vai entrar na fase mais adiantada do jogo (seja para desbloquear resultado ou confirmá-lo) e criar um impacto que não teria se jogasse de inicio (é o novo mito).

Respondendo à previsibilidade que passara a encravar um modelo antes fluido, Rui Vitória criou o 4x3x3 sem perder, no entanto, o que estava feito em 4x4x2 ao qual volta quando quer e que neste momento se traduz no jogo numa coisa muito simples: quando Jiménez entra a meio da segunda parte.

Tendo desde a base a cultura apreendida dos movimentos sem bola em que os avançado latino-americanos são dos mais fortes do mundo (pela forma como jogam preferencialmente com dois avançados soltos móveis) expressa essa vertente no jogo encarnado. Por isso, nessa movimentação tão em largura (por isso cai tantas vezes na faixa ou pode até jogar, no sistema, a partir de lá) parece muitas vezes demasiado longe da baliza. Uma ilusão que desfaz logo a seguir. No remate na área (naquele bolas que pareciam “não ir dar nada”) ou até, na ultima expressão, num “passe-centro de letra”. O relvado, afinal, é muito grande.