As ”Máscaras” Fazem o Jogo

03 de Fevereiro de 2017

Nos desenho antes do jogo, nunca terão estado tão próximas nas ultimas épocas (efeitos de esboços do 4x4x2) mas depois a bola começa a rolar e as ideias logo as distanciam. Entre a noção de onze-bloco do FC Porto de Nuno (forte na recuperação de bola e com linhas juntas em poucos metros) e a noção de equipa-partida que o Sporting de Jesus promove para sair rápido na transição defesa-ataque e meter a velocidade como principio ofensivo “aumentando” o campo, há um abismo ideológico.

Para além das “ideias de jogo” dos treinadores há, depois, os nomes próprios que as colocam em prática. Essa escolha traduz-se muitas vezes quase como uma expressão diferente da mesma ideia, tal a forma como os interpretes são diferentes.

O FC Porto de Nuno é, nesse sentido, o caso mais evidente. Como se existissem dois, inclusive  o mesmo jogo. O FC Porto dos extremos (Corona-Brahimi ou um deles) e o FC Porto dos médios escondidos na faixa para dar depois “jogo interior” forte e deixar a profundidade da faixa à subida dos laterais.

O Sporting de Jesus tem uma “cara táctica” mais evidente. Muda mais em função das dúvidas de quais os jogadores podem interpretar melhor a mesma dinâmica (a questão do segundo avançado é, nesse sentido, a mais sensível a essas mudanças) do que em função da opção de mudar mesmo os princípios das dinâmicas (a questão, no FC Porto, dos extremos puros ou falso-alas é, nesse sentido, a face mais visível dessas mudanças)

Em função da aplicação das variantes, alguns jogadores crescem ou encolhem no jogo. No FC Porto que procura conciliar as duas versões, há hoje um jogador a crescer de influência, pelo poder/intensidade de recuperação de bola, desde a ala até zonas interiores: André André. Dessa forma, com Danilo intocável a “nº6 pivot-âncora”, o poder de influência no jogo de Oliver (em construção) diminui.

No Sporting, através de qual o manual de instruções Bryan Ruiz entra em campo.  Será o jogador que mais me intriga hoje: porque gosto mais de o ver jogar por dentro e seria uma opção natural para jogar atrás do ponta-de-lança como organizador-criador, mas, paradoxalmente, faz melhor essa missão a partir da faixa. Questão de princípios e vícios de jogo (para além da questão físico-dengosa de jogar e... correr no jogo)

Ambas equipas querem potenciar as subidas dos laterais mas para isso dependem muito de que tipo de jogadores (extremo ou não) têm à sua frente, seja ele o adversário que lhe surge nesse espaço, ou seja o colega... avançado que joga à sua frente.

Mais do que olhar para o que faz o adversário, são duas equipas que como criam dúvidas a si próprias sobre qual a melhor forma de, jogo a jogo, aplicar as suas ideias do seus modelos.