As transições “anímicas”

08 de Fevereiro de 2016

A ilusão e a realidade fazem os melhores momentos

A época é longa e dá tempo para todas as equipas, em face do momento exibicional (e resultados) ora se empolgarem, ora se deprimirem. São transições... anímicas.
Este arranque da segunda volta consegue transmitir a invulgar sensação de os três grandes estarem, neste momento, a atravessar o seu melhor período. O Sporting líder com Jesus, o Benfica solidificado com Rui Vitória, o FC Porto agora de Peseiro reacordado pela mudança de treinador pós-Lopetegui.
Ilusão ou realidade? Será uma mescla das duas mas vendo os jogos dos três, contextualizando-os no período competitivo em que se inserem, sinto que a resposta estará nos... jogos seguintes. Quando se fugir à ilusão dos confrontos desnivelados do nosso campeonato e entrarmos na realidade dos clássicos (confrontos diretos) e da dimensão internacional.

Descontando esse aproximar do “upgrade de realidade”, a jornada mostrou, ao terceiro jogo, o... primeiro esboço do que pode ser o novo FC Porto de Peseiro, aquele que tem o incontrolável desejo de jogar em 4x4x2 ou com dois avançados com maior presença na frente de ataque, mesmo que um saía das entranhas ofensivas meio-campo.
Ver Brahimi ou Corona “por dentro” não é novo quando tal acontece numa dinâmica de “aparecerem” nesse espaço, mas será se for num posicionamento de estrutura rotinado desde inicio.

Mais difícil é ver um dicotomia tão clara “jogo de posse circular de Lopetegui” e “jogo vertical direto de Peseiro”. Nem isso seria possível, nem essa segunda definição encaixa na ideologia de Peseiro. A percentagem de distância percorrida pela bola é que, se existisse essa estatística, revelaria a importância do “passe vertical” para essa nova sensação que, no fundo, passa por reconhecer mais rapidamente os espaços por onde avançar/atacar a equipa adversária (sobretudo quando esta, como o Estoril de Fabiano Soares, os mostrava de forma tão declarada nas faixas).