Ás vezes é preciso ser mais gordo

30 de Agosto de 2016

Não é daqueles jogadores de quem se espera ser protagonista de um “golpe táctico”. No futebol, porém, pode ser que seja dos mais gorditos e dos (algo) carecas que elas gostam mais. As tácticas, claro. O Sporting- FC Porto promoveu um desses exemplares: Bruno César subiu a protagonista do jogo numa altura em que este estava inclinado no seu controlo para outro lado, o do triângulo de máquinas de pressão-recuperação-condução portista (Danilo-Herrera-André André).

Quando Jesus tirou o jogo de “marcação-rotação sonolenta” de Brian Ruiz do corredor central e meteu lá o tal “rolo de futebol” de Bruno César, a equipa melhorou, o trio portista perdeu a zona de conforto e, de repente, já via cair em cima outra dupla vinda de trás, Adrien-William Carvalho.

Nesse duelo entre “pressionar e fugir à pressão” que caracteriza tantos jogos destes no corredor central, a agilidade leonina em mexer no jogo no seu momento mais difícil (resultante do FC Porto ter entrado melhor) foi decisiva para virar o seu curso.

Este FC Porto de Nuno está a crescer, mas está, ao mesmo tempo, em formação. Há um onze, mas ainda não há a definição de quais as melhores formas de mexer nele no decorrer do jogo para o melhorar. Por isso, quando ao intervalo, vendo que precisava resgatar o controlo do meio-campo, meteu nesses espaços mais uma unidade, Oliver, este entrou ainda desenquadrado dos princípios colectivos.

A equipa deixou de definir uma zona de pressão alta como começara bem no jogo, e passou a organizar-se em linhas mais baixas, de tal forma que, quando recuperava a bola, tinha quase 40 metros para atravessar até chegar à área do Sporting, onde andava desterrado André Silva. Penso ser este o aspecto táctico sobre o qual Nuno terá de reflectir mais

Vendo este jogo e pensando como potenciar a equipa nestes jogos: não pode recuperar a bola com a equipa a uma distância tão grande para chegar à área adversária.

Do lado sportinguista, William Carvalho terá feito dos jogos em que subiu mais no terreno, o que tanto fala bem da exibição do pivot leonino, como da falta de pressão portista no inicio de construção verde. No jogo de marcações, os mais criativos, Otávio e Brian Ruiz, viveram encurralados por marcações muito em cima. Cada bola dominada, cada choque. Nesse contexto, foi o futebol malandro de Campbell que emergiu na parte final, quando o caos táctico-mental (com desgaste físico) se faz sentir nos jogos.

Fica ainda o último grande plano de Nuno, gritando para Adrián Lopez chutar no derradeiro lance do jogo, quando teve, já na área, uma fenda para o fazer. O último grito raramente é o mais importante, mas, é, muitas vezes, o que revela mais um estado de alma.