Benfica: A chave do “auto-conhecimento”

07 de Março de 2016

Este Benfica chega a esta fase da época no seu melhor momento de forma não porque jogue um futebol atrativo ou que dê uma sensação de força maior, mas sim porque está na fase em que se conhece melhor a si próprio.

É a pergunta que se faz mais no fim. É a pergunta que faz menos sentido fazer no fim. Se o resultado foi justo. Porque, no futebol, todos o são. Todos nascem daquilo que é o... jogo. E no jogo, cabem todos. Altos, baixos, magros e gordos. E cabem, belas ou inestéticas, todas as estratégias.
Este Benfica de Rui Vitória não é, no sentido etimológico, o Benfica que as suas camisolas dizem historicamente. É aquilo que os seus jogadores que hoje as vestem dizem conjunturalmente. Por isso, essa exigência de ter dominar todos os jogos cedeu à de ter de entender cada jogo, e cada adversário, para o conseguir controlar. Depois, no passar dos 90 minutos, perceber que o jogo passa por diferentes momentos e que alguns obriga-o, no tal cenário histórico conta-natura, a viver (e ter de ser eficaz) no momento defensivo do jogo. Este Benfica cresceu nesse entendimento dos diferentes momentos pelos quais o jogo passa e o confronto de Alvalade foi exemplo táctico disso.
Como entrou, sem receio de aumentar a velocidade quando tinha a bola para atacar, e como acabou, fechado numa caverna de trinta metros, com dois trincos (Samaris-Fejsa) e sem sair para o contra-ataque. Pode-se apontar que baixou demasiado esse bloco. É verdade, mas nessa opção estava já não o controlo do jogo, mas o segurar do resultado (através do cadeado posto no momento defensivo em que tentava sobreviver).
Este Benfica chega a esta fase da época no seu melhor momento de forma não porque jogue um futebol atrativo ou que dê uma sensação de força maior, mas sim porque está na fase em que se conhece melhor a si próprio. Outras candidatos não o conseguem.
Desde Braga onde segurou o resultado que isso se nota: saber defender baixando o bloco. Não são as palavras de qualidade tática mais comuns para definir, através dos tempos, o Benfica dos grandes jogos mas Rui Vitória vive no presente e sabe que é nesse momento que a sua equipa tem de jogar (sobretudo se entrar bem na transição ofensiva e ficar a ganhar). Depois, são os jogadores dentro das camisolas, e não estas sozinhas, que jogam.
Isto fez a diferença em Alvalade. Justiça tática tem uma noção base, seja em que estratégia for: a equipa estar ou não equilibrada. O chamado “Benfica defensivo” foi uma equipa equilibrada. E ganhou dentro daquilo que é o futebol e a sua infinita multidisciplinar sabedoria táctica permite. Mesmo a quem só vai uma ou duas vezes á baliza adversária.