Bloco de Notas 15/16 (1)

10 de Janeiro de 2016

O mesmo mas em menos espaço

Nada do que ele fez na sua estreia verde foi surpresa. Bruno César é mesmo aquilo. No fim, disse que aproveitara estes dois meses só a treinar “para aprender os movimentos da equipa, ofensivos e defensivos”. Nessa frase, estava o mais importante da sua exibição. Porque, vendo bem, ele jogou igual ao que sempre fez, mas em... menor espaço de terreno. E para quem gosta de jogar embalado isso faz toda a diferença. Andou em largura de lado em lado entrelinhas. Correu, recebeu, passou, rematou. Encurtaram-lhe os 30 metros e ele, no “novo testamento verde de Jesus”, adaptou o seu tamanho a ele.

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Na lama vê-se melhor o contraste

Assisto ao Moreirense-V. Guimarães e vejo um jogo disputado nos limites. Chuva e lama, cada bola parecia a mais importante. Um jogo para lutadores. É, porém, nestes terrenos que, entre a relva revolta, surge quem trata melhor a bola. Porque marca o contraste. Por isso, quando ela ia ter aos pés de Otávio ou Iuri Medeiros já parecia outro jogo e que até a relva ficava de veludo. A técnica em si não faz a diferença mas quando metida, com critério na sua utilização e dinâmica, muda qualquer cenário. Até deixar de chover. Até vermos quem é não só habilidoso, mas mesmo bom tecnicamente. Como Otávio e Iuri.

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Qual é a “extensão de jogo” de Krovinovic?

É daqueles jogadores para quem se olha e vê-se que tem “pinta”. Depois, no jogo, prova-se que a impressão traz boas promessas. Krovinovic vai entrando no onze do Rio Ave e mete-se na casa de Bressan. Não vejo forma de jogarem os dois juntos. Mas vejo a inevitabilidade de Krovinovic jogar cada vez mais. Ainda não percebi até que ponto em vez de um “10 á moda antiga” pode ser mais um “10 moderno”. Ou seja, de que matéria é feita a sua “raça táctica”. A técnica é fácil de ver. A amplitude de jogo, com e sobretudo sem bola, é mais difícil e é o espaço tático que tem de conquistar.