Bloco de Notas 15/16 (3)

12 de Fevereiro de 2016

Anti-rugas de envelhecimento tático

Como estivesse à porta duma discoteca para entrar, o Braga demorou até furar a defesa do Estoril. É natural (como perturbador) que a bancada fiquem ansiosa. O que não faz sentido é que o faça em relação ao jogador que tem carregado taticamente a equipa às costas desde inicio da época: Luiz Carlos.
Não sei que tratamento “anti-rugas de envelhecimento tático” fez, mas nada neste Braga faz sentido sem o jogo passar por ele.
É um “jogador do treinador”, na forma como Paulo Fonseca o conhece e potencia (sobretudo quando parecia na curva descendente da carreira). Faz rolar bola e jogo do meio-campo: saída de pressão por aqui, passe por ali e roubo de bola que lança uma jogada que dá golo. Leva o modelo coletivo dentro dele.
A equipa nunca cai no caos mas se um dia isso for ameaça, será ele a repor a ordem. Ele é, mais do que o rasgo de Rafa, a “cara tática” deste taticamente belo Braga de Paulo Fonseca.

cafu

Como cresce o futebol de Cafú

Se tivesse de apontar um jogador que mais evoluiu esta época, até, admito, transformar a ideia que tinha dele, dizia, sem hesitar, o Cafú. No principio, via-o (e projetava-o) como um 6 a subir no terreno à custa do esforço e de gritar na cara dos adversários. Agora (e não passou muito pois só este mês faz 23 anos) vejo-o na mesma a fazer essa ligação e até outra, invadindo terrenos mais avançados, mas com outro discurso técnico com a bola. Executa e lê bem o jogo.
Pode valer pelo carácter, mas cresce sobretudo pela maturação táctico-técnica. Próximo passo: transmitir serenidade.

kayembe

O que é (e pode ser) Kayembe?

Cada vez mais vejo o Rio Ave mais perigoso através do seu futebol (com técnica na garra, ou vice-versa, em cada jogada na faixa). Por fim, Kayembe descobriu espaço no onze. Cresce com a equipa e faz esta crescer. A ideia do FC Porto o fazer lateral-esquerdo faz sentido (pelas suas características e labor sem bola) mas neste Rio Ave (ou equipas mais pequenas) tudo isso tem de surgir lá na frente.
Gosto de o ver jogar mais na esquerda do que na direita. Não o acho forte em diagonais. Acho-o forte a alternar linha com o jogo por dentro. É, aos 21 anos, um jogador “maior de idade” em campo.