Bloco de notas 15/16 (4)

14 de Fevereiro de 2016

Os “murmúrios altos” de Lito

Foi uma das imagens da jornada. A forma de falar de Lito Vidigal, os seus “murmúrios”, transportam sempre uma mensagem mais forte que parece.
Quando, jogos atrás, desmontava o autocarro de que era acusado falando nos diferentes momentos do jogo. Quando, no fim do jogo no Restelo, falava com o Presidente do Belenenses de dedo apontado ao relvado, ao local, afinal, onde tudo se passara. A vitória que o seu Arouca acabara de conseguir e o excelente trabalho de base na época passada que deixara nesse mesmo no seu Belenenses (antes duma separação turbulenta). Nessa imagem, Lito continuava a ganhar uma espécie de “outro jogo particular”, após o da relva ter terminado.
Este Arouca já pode sonhar com a “Europa impossível”. Com longos treinos que são “martelos táctico-físicos” na cabeça dos jogadores, pela noite dentro se for preciso porque muitos jogos também são à noite, e com exibições que encolhem e/ou esticam o jogo quando querem, tendo agora na frente um rápido e móvel avançado paraguaio, Walter Gonzalez, que mal vê a baliza tem o timing certo de arranque, pausa, novo arranque e remate. O golo que marcou no Restelo é dos que trazem “pedigree” de nº9 que não engana.
Ao mesmo tempo, Lito segue o seu caminho (com a sua legião de adjuntos, saídos da periodização táctica, o Jorge Maciel, ou das águas profundas de velhos tempos, o Professor Neca). Este Arouca é um livro de futebol com diferentes fascículos para colecionar mas que não podem ser vendidos (ou lidos) separadamente.

fabio espinho

Fábio Espinho: A “idade da razão”

Regressou ao nosso futebol como um jogador algo diferente. Recuou um pouco no terreno, é hoje mais nº8 a ajudar um nº6 do que o antigo nº10, mas sobretudo mudou porque agora revela muito mais calma no jogo e isso nota-se no seu futebol mais pausado (com passe) e pensado (organizando a equipa á volta dele).
Fábio Espinho estará, afinal, na “idade da razão futebolística”, pegando no meio-campo em reconstrução do Moreirense. O seu jogo no Dragão mostrou o que é saber “pensar bem futebol” numa equipa “pequena”. Como jogou e até como falou no fim. O jogo dura muito mais tempo do que parece.

kuca

Por onde deve fugir Kuca?

Não é um jogador em que se pode confiar sempre. Mas é um jogador de quem se pode esperar sempre qualquer coisa. Nestas frases, contraditórias e conciliáveis, está o que me transmite Kuca a cada jogo. Uma expressão de talento sem previsão de aparecimento certo.
Acredito que tem sempre a melhor das intenções mas são demais as vezes que parece desligar ao falhar o primeiro drible. Acho que é um jogador que em vez do constante um-para-um, devia procurar mais receber em espaços vazios, buscando em desmarcação. Em suma, não querer tanto em cada jogada.