Bloco de Notas 15/16 (10)

16 de Abril de 2016

Arouca: A “fórmula-Gegé”

O Arouca colou-se na zona-Europa e entre vários factores de solidificação do seu jogo, com raiz de segurança defensiva, esteve a partir da 21ªjornada (no Porto) a passagem de Gegé de central para defesa-direito. Lembro nesse dia quando vi a ficha do jogo pensar que o Lito fosse inventar um sistema de três centrais. Mas não. Queria era trocar um lateral-direito por um... defesa-direito. É muito diferente. Ganhou o jogo e ganhou uma posição que se passou a exprimir-se da melhor forma no modelo. Com Gegé defesa na faixa ganha sempre superioridade numérica no processo defensivo.

Rafael Martins de “primeira”rafael martins

Tem feito golos como ponta-de-lança sem o ser verdadeiramente. Quando chegou a Portugal, em Setúbal, arrancava duma faixa. Rafael Martins é um dos bons avançados das ditas equipas de gama média-baixa do campeonato, mas tem momentos em que parece poder ser muito mais do que isso. É quando vê-se que vale muito mais do que só pela dimensão física nas jogadas.
Tem algo fundamental para estar a jogar bem como nº9 puro: facilidade de remate sem pensar muito. E o melhor mesmo é que isso (“pensar pouco”) lhe aconteça na maioria das vezes. Porque os espaços no meio não são os mesmos das faixas.

qui machado

Até onde se deve mudar?

Não sei até que ponto Quim Machado ter decidido, a cinco jogo do fim, na Luz, “ter mais cautelas” na forma de jogar e montar um sistema com três centrais contrariando o conceito “olhos nos olhos” com que cresceu, trará benefícios á equipa. Não por a equipa não necessitar desse “upgrade de realismo táctico” mas pelo que pode mexer na cabeça estratégica do onze para os próximos jogos. É a questão dos jogadores, de repente, olharem para si próprios e questionarem a sua própria identidade. A salvação continua próxima, mas a ideia base com que arrancou a época ficou confundida.