Bundesliga 2002/2003: Em busca dos novos gigantes

12 de Julho de 2002

Bundesliga 2002 2003 Em busca dos novos gigantes

Sentado no banco, Matthias Sammer transmite a mesma imagem de liderança tranquila exibida no relvado. Depois de ensaiar o 4x3x3, o seu Borussia Dortmund reconverteu-se, no papel, ao tradicional 3x5x2 germânico.Com a bola, na fase atacante, o onze, gerido a meio campo pelo checo Rosicky, desdobra-se em 3x4x3, soltando na frente um perigoso trio ofensivo, onde Koller é o gigantesco ponta-de-lança que todos temem. Para tornar mais forte o bloco e incutir maior peso aos flancos, um espaço chave nas grandes equipas da actualidade, Sammer aposta muito em Frings, contratado ao Werder Bremen. Á sua frente, extremos clássicos, Addo e Ewerton são perigosos com a bola nos pés, mas, apesar da acção de Frings, a equipa não possui médios-ala com a mesma disciplina táctica e capacidade de desdobramento defensivo-ofensivo dos que alinham nos rivais de Leverkussen e Munique. São os casos, no onze de Hitzefeld, de Salihamidzic e Zé Roberto, e, na equipa de Topmoller, de Schneider e Sebescen, para além dos laterais ofensivos, Placente e Zivkovic.

Nenhuma destas equipas exibe, no entanto, um libero patriarcal ao velho estilo alemão. A boa campanha da Manschaft no Mundial consagrou como novas referências três jogadores que antes, apesar do seu valor, não eram grandes estrelas: Metzelder, Ramelow e Schneider. Cada qual tem o seu estilo próprio. Órfão de um chefe na defesa, a selecção acabou por eleger como patrão um homem que, em Leverkussen, actua sobre o meio campo: Ramelow. O seu porte altivo na condução da bola, impõe respeito. Sem a classe incontestável dos antepassados, soube lapidar a natural arrogância do seu futebol, colocando-o ao serviço do colectivo. Junto dele, Schneider, antes simples médio-ala direito, tornou-se hoje, usufruindo de maior liberdade de movimentos, no novo motor-vagabundo do onze de Topmoller, substituindo Ballack nessa missão. Em Dortmund, com a retirada de Kohler, o novo chefe da defesa é o jovem Metzelder, 21 anos (faz 22 em Novembro). Muito sereno e elegante, pisando o relvado com personalidade, ele poderá ser o futuro regente da defesa germânica da próxima década. Os três personificam a imagem reciclada do actual futebol alemão.

Huub Stevens, Hitzfeld e Toppmoller: Pensadores de futebol

Uma das maiores atracções da época será seguir o percurso do holandês Huub Stevens no banco do Hertha de Berlim, após seis anos no Schalke 04, realizando fabulosas campanhas e onde ficou famosa a osmose emocional formada com o manager Rudi Assauer. Em Berlim terá ao lado outro monstro do futebol alemão, hoje também manager: Dieter Hoeness. Durante os anos em Gelsenkirchen, Stevens ficou conhecido com um treinador tacticamente muito equilibrado, dando muita importância ao sector defensivo, só apostando no 3x5x2 com a inclusão, ao mesmo tempo, de dois médios defensivos, trincos. Uma tarefa, no Hertha, para a dupla Darlei-Beinlich, variando conforme os jogos, a opção pela defesa a «3» (Friedrich, Schmidt, Simunic) ou a «4» (inserindo Neuendorf na esquerda), passando assim a jogar em 4x1x3x2, só com um trinco, como fez no primeiro jogo em Dortmund. A inovação estilística surge no ataque onde o aroma brasileiro de Marcelinho, Alex e Luizão aumentarão o jogo de cintura ofensivo do onze de Stevens –que, no Schalke, apenas tinha M`Penza para essa tarefa- sendo, ao mesmo tempo, o complemento ideal para o esguio Preetz dentro da área. Nos últimos anos, apesar de não conquistar títulos, Klaus Toopmoller congeminou com o seu Bayer Leverkussen os melhores momentos de futebol vividos nos relvados germânicos. Junto com Hitzfeld, em Munique, deu um novo impulso táctico ao estilo germânico.

A base passou a ser o 4x4x2. Neste inicio de época, a grande questão para Hitzfeld reside na posição de Ballack no terreno. A polémica aumentou após a pobre estreia em Monchengladbach, alinhando demasiado recuado, formando quase um doble pivot com Jeremis, um trinco puro, com School mais adiantado no apoio a Elber passando assim o 4x4x2 para um 4x2x3x1 muito cauteloso, sendo os médios-ala a assumirem o jogo. Ao mesmo tempo, Topmoller, sem as estrelas do passado readaptou o seu 4x2x3x1 com a inclusão de Simak na direita, entregando as chaves do ataque a Basturk, um grande jogador mas sem perfil de patrão.