Carvalhal, Carlos Brito e Rui Fonte

10 de Novembro de 2006

Carvalhal, Carlos Brito e Rui Fonte

NACIONAL DA MADEIRA: A «Marca-Carlos Brito»

Após um início difícil, o Nacional assume-se como uma das boas equipas deste campeonato. Em busca da melhor estrutura para a sua filosofia de jogo, Carlos Brito já desenhou o 4x4x2 e o 4x2x3x1, mas é em 4x3x3 que o onze surge melhor, no posicionamento e na dinâmica. Assim, faz o triangulo do meio campo variar a posição do vértice. Umas vezes, colocado em posição recuada (com Chainho), com dois interiores que sabem alargar jogo em posse (Bruno e Bruno Amaro) e chegar à segunda linha para passar (Bruno) ou rematar (Bruno Amaro). Outras com o vértice avançado, quando reforça a defesa, sem bola, e os interiores (papel principalmente desempenhado por Bruno) fecham na ajuda ao pivot defensivo. Nas faixas, os laterais (Patacas-Alonso) sobem muito bem para combinar com os extremos (Zé Vitor-Pateiro). Mantêm consistência de recuperação e a atacar fazem muito bem as trocas posicionais. Quando o extremo flecte, são eles que surgem na posição de extremo. A ponta-de-lança, Rodrigo move-se com inteligência.

CARVALHAL: Estrada sem saída

Carvalhal, Carlos Brito e Rui FonteApós uma derrota, o treinador, antes de outra reacção, deve questionar-se: Porque perdemos? Porque falhámos? Só após responder a estas questões, pode trabalhar (treinar) comportamentos em campo (princípios de jogo) que superem essas falhas. Carvalhal abandonou o Braga esta semana. Terá feito estas perguntas após a goleada sofrida com o Marítimo e encontrou as respostas certas para, quatro dias depois, golear o Liberec na UEFA. Terá feito as mesmas perguntas após a derrota em Alvalade, mas, desta vez, não teve tempo para procurar respostas. Apesar da inconsistência exibicional da equipa, sai à jornada 9 ainda com os objectivos, nacionais e europeus, intactos. O caso-Carvalhal no Braga é, no entanto, um espelho do futebol português, esta época já visto em Setubal e no Bessa. A incapacidade das SADS fazer as mesmas perguntas.

Limitam-se a agir por impulsos. E quando não se sabe colocar as perguntas certas, raramente se descobrem as respostas certas. Só por acaso.

PONTAS DE LANÇA: O caso Rui Fonte

Carvalhal, Carlos Brito e Rui FonteO ponta-de-lança, ou melhor, a falta dele, sempre foi um tema quente no futebol português. É uma questão de estilo e cultura, mas, também, e sobretudo, uma questão de escola. Curiosamente, este debate reaparece quando sai de Portugal, do Sporting para o Arsenal, um miúdo de 16 anos que é uma grande esperança na posição: Rui Fonte. Não tenho dúvida que em Londres vai encontrar um habitat mais indicado para lapidar a sua posição. A escola inglesa de pontas de lança é das melhores do mundo. Isso é, aliás, comum a todas as anglo-saxónicas, onde a posição do nº9 é trabalhada desde a base, em comparação com as latinas, mais vocacionada os médios. Rui Fonte vai beneficiar disso no Arsenal. Portugal poderá aproveitar mais tarde, mas, pensando na formação dos clubes portugueses, é intrigante porque não existe uma escola especifica de pontas-de-lança.

Só nesse momento, na raiz, é possível incutir as bases táctico-técnicas de movimentos que irão depois suportar uma carreira. Sem isso, será sempre apenas uma questão de instinto.