“CASE STUDY” KOVACIC

21 de Setembro de 2014

“CASE STUDY” KOVACIC

Os jogadores nem sempre são o que parecem mas não enganam assim tanto até colocar em causa tudo aquilo que vimos nos primeiros olhares. Tenho esta reflexão enquanto vejo jogar um jogador de quem gosto muito mas que, sinceramente, tenho sempre receio de me desiludir no jogo com ele. E, claro, depois, numa projeção mais a longo-prazo, na carreira. Falo de Kovacic, médio do Inter.

E escrevo médio, sem definir bem o posicionamento no meio-campo, porque o vejo a poder caminhar por muitos lados. Não tanto pelos imperativos maleáveis do futebol moderno mas mais pelas suas características de jogador de carácter algo dengoso, que parece conduzir a bola como quem faz um favor (á equipa, ao jogo e á... bola).

Na maior parte das vezes, no fim, há que agradecer esse favor. E gosto de o ver jogar com o 10 nas costas porque acho que é o numero que lhe fica melhor e também porque o seu jogo faz-me lembrar um jogador com ritmo de futebol de outras eras. Quando havia mais tempo para saborear o jogo e os jogadores.

Kovacic tem a natureza típica do futebol balcânico. Tecnicista, com classe, mas insolente e imprevisível. liga e desliga. O futebol atual raramente admite entrada deste tipo de jogadores na elite se não ultrapassarem o tal mero jogo de ilusões que falo no principio do texto.

No atual Inter de Mazzari, em 3x5x2 ou 3x4x1x2, será difícil ele ser o “1” atrás os avançados (como foi Hamsik no Napoles de Mazzarrri) porque a sua rotatividade de jogo alterna muito. O onze necessita de uma moldura de proteção tática maior para o poder aguentar nos seus tais “momentos lunares”. E, vendo bem, em nenhum desses momentos (melhores e piores), Kovacic engana. Ele é mesmo assim, uma espécie de bipolaridade futebolística que, mesmo só com 20 anos, ainda poderia ter tratamento se a sua natureza (berço e mente) fosse outra. Não acredito que mude.