Champions: Estilos diferentes entre a elite dos oitavos-final

17 de Dezembro de 2014

Está definida a elite de 16 equipas da Champions desta época. Entre elas, porém, continuam a distinguir-se várias linhas de potência. Só um país resiste com todos os seus representantes. A Alemanha. Quatro equipas. Se o Bayern de Guardiola e o Dortmund de Klopp (este apesar da queda interna) são presenças lógicas, com estilos de futebol tão diferentes (do toque apoiado ao jogo profundo) as outras duas, Leverkusen e Schalke 04, emergem mais pelas circunstâncias de cada grupo (onde estiveram Benfica e Sporting).

Ou seja, a Bundesliga é hoje um modelo de organização e promoção do futebol, mas, em campo, não existe esse domínio dos clubes alemães na forma de abordar e pensar o jogo. Não vejo as suas equipas taticamente superiores, por exemplo, às latinas. Têm, desde logo, muitas lacunas na transição defensiva.

Onde fazem então a diferença? Penso que é sobretudo pela força, ritmo e atitude mental. Não têm estados de ânimo. Nunca baixam de ritmo. Passam por cima das derrotas, nunca têm duvidas, e mesmo com muitos estrangeiros continuam blocos de gelo competitivos, erguendo a dimensão física sobretudo a meio-campo. Têm, depois, avançados, perigosos. Son, Bellarabi e Kissling (Leverkusen), Draxler, Meyer e Huntelaar (Schalke).

Por entre este mundo teutónico, está Di Matteo que ganhou a Champions com o Chelsea em 2012 com um estilo que assustou pela ameaça de tornar a modernidade tática em colocar oito atrás e mais três à frente... Defendendo. Esta desmistificação foi feita nos anos seguintes por Bayern e Real. O novo Chelsea de Mourinho (época II) é hoje, em Inglaterra, a equipa que melhor sabe como quer jogar. Tem posse e profundidade quando quer. Tem jogadores para ler e executar essas diferentes linguagens com a bola, mal a recuperam.

O Manchester City continua a ser uma equipa que não transmite essa segurança tática. Nunca parece ter o jogo controlado (embora se pressinta que o pode ganhar a qualquer momento). Ou perder, claro, tal a forma como tem altos e baixos, coletivos e individuais. O jogo de Roma foi um exemplo perfeito. Sem Aguero e Touré, foi Nasri a chave criativa de um 4x2x3x1 com duplo-pivot (Fernando-Fernandinho) e um dos melhores médios-ala táticos do futebol inglês: Milner. Desde a esquerda, ele sabe fechar, temporizar ou fletir, ora em cobertura, ora em posse. Tem tanta cultura tática que também joga a pivot.

Enquanto o Arsenal segue com problemas defensivos (melhorados a meio-campo com o regresso de Ramsey) perturba ver a quebra do Liverpool. Não foi só a perda de Luiz Suárez e Sturridge (lesionado), é a perda das suas referências de jogo. Custa entender, contra o Basileia, deixar no banco Coutinho e Lallana, montando um 4x4x1x1 com Gerrard (que vinha de fazer uma grande época como pivot) como segundo-avançado, atrás do n.º 9 corpulento Lambert (que saiu ao intervalo, indo Sterling de extremo para falso 9 móvel). Entrou Markovic e provoca a ilusão de tornar a equipa mais rápida pela forma como joga, quando o que ele torna é as... jogadas onde entra mais rápidas. São coisas mutos diferentes. O coletivo continua sem ter a ordem de posse e controlo de ritmos que perdeu.

Comecei esta análise pelo impacto das equipas anglo-saxónicas, Alemanha e Inglaterra, mas nelas coexistem estilos diferentes. Certeza só no perfume do Bayern (equipa com maior posse, 63%, e jogadores, no decorrer da prova, com maior número de passes, com Xabi Alonso e Lahm destacados). Servirá isto para repensar a ameaça do fim de ciclo de um estilo (o Barça é segundo com 62% de posse) e o renascimento do futebol-total de Guardiola?