Chelsea: novos impérios para conquistar a Europa

24 de Outubro de 2014

Chelsea novos impérios para conquistar a Europa

As equipas de Mourinho nunca foram histórias simples. Um futebol e uma personalidade á prova de bomba. Na época passada, no seu regresso ao Chelsea, senti que lhe faltou espontaneidade. Os jogadores pareciam tão domesticados que nem pareciam, por vezes, ter vontade de gritar e vociferar em campo. Esta época é diferente.

A equipa exibe uma solidez de pressão (e recuperação) sobre a bola por todo o campo que nunca baixa de intensidade mas em relação à época passada em que se via sobretudo uma equipa a procurar momentos de lançar ataques rápidos, nesta vê-se outro futebol, mais evoluído e trabalhado a nível da posse da bola.

A presença de Fàbregas, a segurar e passar no momento certo, foi decisiva para esse novo estilo que se acrescentou ao que a equipa já tinha: a inteligência na busca rápida da profundidade ofensiva (metendo também um passe mais longo quando oportuno). Para isso, a entrada de Diego Costa no onze foi como dar-lhe mais 30 metros de relva a atacar.

Um território que muitas vezes é aproveitado nas costas das defesas adversárias.

O jogo com o Arsenal mostrou todas essas diferentes variantes, frente a uma estratégia de Wenger forte a pressionar a meio-campo, mas que nunca travou a velocidade do... passe dos médios do Chelsea para sair dessa zona pressionante.

Quando essa linha de saída não surge, pode irromper, no meio-campo, a passada larga em posse de Matic (a que se pode acrescentar, ou em rotatividade, Ramirez). Quando as entradas na área adversária parecem todas fechadas, pode irromper a velocidade criativa de Hazard para as desmontar com o seu zig-zag de classe. Para pensar melhor o jogo com imaginação, no centro do 4x2x3x1 da sala de máquinas ofensiva 80 “3# (que joga atrás de Diego Costa), as chuteiras pensantes de Óscar.

Neste momento, olho para o cenário do futebol europeu e não consigo ver nenhuma outra equipa com o poder tático-técnico (colectivo-individual) deste Chelsea de Mourinho (com um guarda-redes pássaro gigante, Courtois). Um exército de futebol com técnica e tática que pega em cada jogo, em cada jogada, com alma. Escrever isto em Outubro pode parecer um heresia mas vejo jogar esta equipa e sinto-a como o maior candidato a ganhar a Champions esta época.

Chelsea novos impérios para conquistar a Europa Claro que existem outras equipas para entrar nessa elite. Não acredito que Guardiola volte a cometer o mesmo erro estratégico da época anterior quando subiu a sua defesa 30 metros frente à veloz transição-ataque rápido do Real Madrid de Bale e Ronaldo. O Bayern com Xabi Alonso ganhou um treinador em campo como antes não tinha. Como nunca foi um jogador rápido, não se nota por isso tanto o peso da idade que o desgaste em muitos jogos. O Barcelona ainda procura encontrar o clique táctico ideal para se reconstruir. A forma de Messi será decisiva para que essa reconstrução faça a diferença perante um colectivo tão forte (e com individualidades pensadoramente mágicas) como o do Chelsea.

Em toda a sua carreira, após a proeza no FC Porto, continuo a ver no trabalho/construção que fez no Inter como a sua maior conquista, feita à navalha, com jogadores que atingiram então um nível de intensidade e motivação conjunta como nunca mais aquele clube teve (nem antes, desde os remotos tempos de Helenio Herrera tivera). O Chelsea é demasiado aburguesado para ter essa postura guerreira, mas, no contexto inglês, pode ter muito dessa equipa na forma de viver e sentir o jogo. Como se o agarra-se pelos colarinhos e o encosta-se à parede. São essas as melhores equipas de Mourinho. Tática e técnica emocional pura.