CLUB ATLÉTICO PEÑAROL

04 de Dezembro de 2000

GIRASSOL DO URUGUAI, um clube que se confunde com os seus próprios mitos, de raça divina, tudo grandes figuras da história do futebol uruguaio. Nomes que, dos remotos anos 10 até ao presente, atravesaram a alma de mOntevideo: de Gradin, Pedro Young, Matozzo, Mascheroni, Obdulio Varela, Gestido, PeucelleSchiaffino, Walter Gomez, Tagarela, Máspoli, Abbadie, Sácia, Pedro Rocha, morena, Aguillera, Bengoechea e Spencer, o gato do Equador.

Fundado em 28 de Setembro de 1891
Onde Joga: Estádio Las Acacias
Campeão Uruguaio: 1900, 1901, 1905, 1907, 1911, 1918, 1921, 1926, 1928, 1929, 1932, 1935, 1936, 1937, 1938, 1944, 1945, 1949, 1951, 1953, 1954, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1973, 1974, 1975, 1978, 1979, 1981, 1982, 1985, 1986, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 e 1999.
Copa Libertadores da América: 1960, 1961, 1966, 1982 e 1987
Taça Intercontinental: 1961, 1966 e 1982

CLUB ATLÉTICO PEÑAROLDizem os cânticos, com veneração e paixão, que será eterno como o tempo e florescera em cada primavera. É o Clube Atlético Peñarol, velho caminhante do futebol do Mar del Plata. As suas raízes, remontam a 1890, quando a Empresa central de Caminho de ferro, dirigida por ingleses, decidiu erguer as suas novas instalações numa povoação dos arredores de Montevideo, onde muito tempo atrás se instalara um agricultor italiano de nome Pedro Pignarolo, que, em castelhano, lê-se piñarolo. Com o tempo, o nome foi sendo moldado pelos locais, dando origem ao chamado pueblo de Peñarol. Em 1891, Mister Roland Moor, presidente da companhia, decidiu criar uma instituição desportiva, destinada á prática do foot-ball, a que deu o nome de Central Uruguai Railway Cricket Club, o CURCC, sendo suas cores, o preto e amarelo da empresa ferro carril. Seria só em 1913 que, no decorrer de uma entusiasta assembleia, surge a ideia de mudar o nome do clube, de forma a ficar clara a sua génese uruguaia. O nome eleito seria, sem contestação, o da povoação onde nascera: Peñarol. Era o nascer dos primeiros grandes mitos aurinegros, como Juan Pena, Mazzucco, Los Camacho, Mañana, Gradín, Acevedo e o elegante José Peindibene, que, grande goleador, nunca festejava os seus golos por respeito aos adversários. É então por esta época, meados dos anos 10, que nasce uma visceral rivalidade, que atravessaria o tempo, entre os dois maiores clubes do Uruguai: Peñarol e Nacional, os monstros de Montevideo. Na história do Peñarol figura o primeiro titulo nacional da era profissional, em 1932, mas apesar da presença de nomes grandes do fútbol uruguaio, como Pedro Young, El Tigre, Luis Matozzo, El Grande, Mascheroni, prodigioso esquerdino, Obdulio Varela, El negro chefe, e, entre outros, Gestido, imponente defesa que fez história ao travar e vencer o épico duelo com o avançado argentino Peucelle, na final do Mundial-30, as décadas de 30 e 40 foram de domínio do Nacional.

ISABELINO GRADIN: Zigzageante Espadachín da bola

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL1Conta-se que quando em 1916, na primeira Copa América da história, o Uruguai venceu o Chile por 4-0, os chilenos protestaram o jogo porque os uruguaios tinham alinhado dois africanos. Eram os negros Gradín e Delgado, bisnetos de escravos, mas que, filhos de emigrantes, já tinham nascido na América do Sul. Nesse tempo, o Uruguai era o único país do mundo que alinhava jogadores negros na sua selecção. De todos, a lenda adoptou Gradín, que se estreou no Peñarol em 1915, como o grande driblador, um saltimbanco malabarista veloz como uma gazela, que fora também campeão sul americano dos 400 metros. Fez parte de uma fabuloso ataque com Campolo, Chery e Piendibene que sempre que o via entrar na área em corrida com a bola, saia do caminho e só dizia: Por favor, entra Isabelino... Gradín tinha sempre a cara de quem comera o pão duro de ontem. Fisicamente era um monte de ossos, perfil de velocista, que inspirou o poeta peruano Juan Parra del Riego, a dedicar-lhe um poema, intitulado Pilirritimo al jugador de fútbol, onde a certo ponto se pode ler: Passas um, dois, três.. quatro... sete jogadores... A bola ferve num ruído seco e surdo de metralha, se revolve numa epilepsia de cores campeão, e já estás frente á área, com o peito... a alma... o pé... e és remate que numa tarde azul explode como um cálido balázio que leva a bola até á rede. Palomares! Palomares! Dos cálidos aplausos populares... Gradín, embolo, música, bisturi, tubarão Gradín! Rouba o relâmpago do teu corpo incandescente que hoje me rompeu em mil cometas de uma louca elevação

ANOS 50

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL3Maracanã, Final do Mundial-50. A onze minutos do fim, o extremo uruguaio Gigghia passou bigode, lateral brasileiro, e de ângulo apertado, bateu Barbosa, oferecendo a Copa á Celeste. Como grandes mentores desse mítico milagre futebolístico estava a base da equipa do Peñarol da época: o guarda redes Maspoli, o defesa Gonzales, o médio Varela, o avançado centro Oscar Minguez, e os autores dos dois golos, o ala esquerdo Gighhia e o sensacional Pepe Schiaffino, titular do Peñarol desde os 18 anos. Estreara-se na selecção em 1945, formando o trio ofensivo com o seu irmão Raul Schiaffino, dois anos mais velho e Walter Gomez. Faria, depois, 25 jogos pela Celeste. Frio, cerebral e ágil, parecia um jogador de outro planeta. Em 1954, transferiu-se para o Milan onde foi durante várias épocas figura de topo, acabando por alinhar, também, na selecção italiana. Ficou famosa a sua dupla com Gigghia, considerado, até hoje, o melhor extremo de toda a história do futebol charrua. Muito rápido, parecia voar como uma pluma atrás da bola, driblava em corrida e gostava de rematar das posições mais incríveis. Como avançado centro, jogava Oscar Minguez, o Tagarela, imponente no jogo aéreo e mestre a jogar sem bola. Ficaram famosas as suas fintas de corpo. Na baliza, estava o espectacular Roque Máspoli, um guarda redes corpulento que começara nas escolas do Nacional e mais tarde se tornaria treinador do Peñarol e da selecção uruguaia. No meio campo estava o habilidoso médio direito Julio César Abbadie, grande figura da equipa de 53 e 54, altura em que saiu para o Génova italiano, e, claro, o caudillo Obdulio Varela.

EL GRAN CAPITAN, OBDULIO VARELA

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL4Chamaram-lhe o chefe negro ou o grande caudillo, sinónimo de incontestado líder autoritário. Será para a eternidade El Gran Capitan, possuidor de assombrosas capacidades psicológicas, capaz de incutir um espírito destemido de vitória a toda a equipa. Actuando com médio centro, era o girassol de todas as manobras defensivas e ofensivas. Grande estudioso, sagaz observador, gostava de mergulhar nos livros em busca da sabedoria que o tornasse ainda maior. Diziam que era introvertido, mas tinha a aura dos grandes líderes. É impossível entender a história do futebol uruguaio, suas raízes e estilo, sem se deter na análise do perfil físico e humano de Obdulio Varela, filho de um vendedor de curtumes. Com onze irmãos, foi apenas á escola durante três anos, altura em que teve de a deixar para ir vender jornais, primeiro, e depois, engraxar sapatos, em busca de algumas moedas para ajudar no sustento da casa. Em 1936, começou a jogar na equipa de bairro, o Deportivo Juventude, até que um olheiro do Wanderers reparou nele e contratou-o por 200 pesos. Quando soube ficou indignado e disse aos directores do Wanderers que só iria, se lhe dessem os 200 pesos a ele. Assim foi. Quando nesse dia apareceu em casa, com todo esse dinheiro, a mãe quase lhe batia e não acreditou na história. Pensava que tal como a maioria dos rapazes do bairro, também o chico Obdulio envergara pela má vida. Esteve quatro anos no Wanderers, até que em 1943, ingressou, por 16 mil pesos, no Peñarol, onde ficou até ao final da carreira, em 1955, ano em que abandonou, com 38 anos. Em toda a carreira conservou sempre a mesma postura imponente de gran capitan que incutia respeito a todos. Nunca deu a mão a um árbitro. Saudava-os com um aceno de cabeça. Tratou-os sempre com máximo respeito, mas cumprimentá-los com aperto de mão, nunca! Não tinha que ser simpático, o seu futebol, nobre e corajoso, impunha-se por si próprio. Foi 52 vezes internacional pelo Uruguai e foi um dos grandes mentores da greve de futebolistas, em 1948, na luta pela conquista de direitos laborais e sindicais. Depois de pendurar as chuteiras, ainda treinou durante breves tempos o Penãrol, até que, magoado, se decidiu afastar para sempre do futebol. O futebol está cheio de miséria. Dirigentes, alguns jogadores, jornalistas todos fazem parte e um negócio onde não existe dignidade humana. Tentaram-me subornar várias vezes. Nunca os denunciei, nem corri aos pontapés. Disse simplesmente que não. Que fossem procurar outro com menor orgulho. Sempre me guiei pela filosofia simples que se aprende na rua, a grande universidade da vida. É por isso que finda a carreira disse que se tivesse de repetir toda a sua vida, nem olharia para um relvado. Estou muito arrependido de ter sido futebolista, confessa amargurado.

1950: QUANDO OBDULIO VARELA PAROU O MUNDO

Foram muitos os jogos onde se narram façanhas de Varela. Da forma como gelava o jogo onde tudo parecia ir cair em cima da sua equipa e depois, como carregara o onze rumo á vitória. Nenhum, no entanto, adquiriu a carga mítica da final do Mundial-50, quando desafiou, e venceu, duzentos mil brasileiros. No livro Memórias del Míster Peregrino Fernandez, Osvaldo Soriano transcreveu uma carta de Varela, datada de 1972, onde narra o sucedido: «Recordo que antes do jogo, um dirigente disse-me que todos ficariam contentes se perdessemos apenas por 4-0.Fiquei indignado. Tinha 33 anos e muitos internacionais em cima. O resto da equipa eram jovens, sem grande experiência, mas que sabiam jogar. Quando íamos no túnel, rumo á cancha, disse-lhes “Saíam tranquilos. Nunca olhem para as bancadas. O jogo disputa-se na relva”. Era um inferno. Sofremos um golo e parecia o fim. Quando a bola se anichou nas redes, fui lá buscá-la calmamente e encaminhei-me, em passos lentos para o meio campo. A intenção era ir falar com o árbitro e dizer-lhe que existira off-side, o líner tinha levantado a bandeira, mas logo a baixara quando viu que ia ser golo. Já sabia que o árbitro não iria atender a reclamação, mas era uma oportunidade para parar o jogo. Fui devagar e pela primeira vez olhei para cima. Fixei o público em desafio, provocando-os. Em vez dos aplausos passaram a ouvir-se assobios. Queriam ver a sua máquina goleadora em acção e eu não a deixava voltar a arrancar. Demorei muito a chegar ao centro. Então, em vez de colocar a bola em jogo, pousei-a e disse a Andrade: “Calma, vou protestar e vais ver que quando voltar isto parece um cemitério”. Pedi um tradutor, falei com o árbitro do tal off-side e que blá-blá-blá. Já tinha passado outro minuto. As coisas que me diziam os brasileiros! Um deles cuspiu-me e eu nem reagi. Quando voltou-se a jogar, eles estavam cegos e nem viam a balizam de tão furiosos comigo. Foi nesse momento que nos apercebemos que era possível ganhar. Como foi possível? Simples, um jogador tem de ser como um artista e dominar o cenário, como o toureiro domina o touro e o público, pois caso contrário, desfazem-te. Nessa noite, fiquei pelo Rio, com o nosso massagista e saímos para beber umas cervejas. Foi então que entrei num bar e vi que só havia tristeza. Estavam todos a chorar. Senti-me mal, afinal eu era responsável por toda essa tristeza. Pensei no meu Uruguai. Ai sim, as pessoas estariam felizes, mas eu estava no Rio. Foi então que o dono do bar me reconheceu e disse: “Sabem quem é? É Varela!” Pensei que me iam matar. Olharam-me, voltaram a olhar-me, até que um deles aproximou-se e deu-me um abraço: “Senhor Varela, quer tomar umas cervejas conosco? Queremos beber para esquecer...” Como podia eu recusar? Ficámos toda a noite a beber e já de madrugada arrependi-me de lhes ter ganho. Se voltasse a jogar essa final, marcaria um golo na própria baliza. A sério! Não se escandalize! O único que conseguimos com esse titulo foi dar lustro aos dirigentes uruguaios, que entregaram a si próprios medalhas de ouro, dando aos jogadores umas de prata. Nunca desde esse dia comemoraram o título de 50. Nunca. Somos nós, os jogadores que nos reunimos todos os anos e festejámos por nossa conta. Por isso, lhe juro, se volto a jogar essa final, marco um golo na própria baliza!» Dois dias depois, Varela regressou a Montevideo. Tinha uma multidão á espera. Vestiu então uma enorme gabardina, puxou as golas para cima, enfiou um chapéu e furou por entre a gente sem que ninguém o reconhecesse. Com o dinheiro que recebeu de prémio, comprou um velho Ford de 1931 que seria roubado uma semana depois...

58-62: O PRIMEIRO QUINQUENIO

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL6Chama-se Gastón Guelfi e foi o presidente que, desde 1958, mudou a história do Peñarol, tornado-o uma potência do futebol sulamericano. Esteve no cargo até 1972 e durante o seu reinado, o clube conquistou os seus maiores títulos nacionais e internacionais. Luzindo um estilo artístico, lutador, com a bola a ser tratada com carinho latino americano, o Peñarol tornou-se famoso em todo o mundo, na década de 60, quando após vencer a Copa Libertadore, também conquistou, por duas vezes consecutivas, 60 e 61, a Taça Intercontinental. Conta-se que quando entrava em campo, os seus jogadores logo iam avisando os adversários: Trouxeram outra bola para jogar? É que esta é só para nós, perguntavam sobranceiros. Era a era dourada de um histórico onze, que combinando a magia de grandes estrelas com o espírito lutador charrua, iria lançar o primeira grande ciclo do Peñarol, coroado com o inolvidável quinquenio, o penta uruguaio, resultado da conquista de 5 titulos consecutivos de campeão: 58, 59, 60, 61 e 62. Finda a época de Odbilio Varela, chegou, em 58, de Artigas, para o substituir, um outro astuto maestro: Néstor Tito Gonçalves, que enchia a cancha com os seus gritos A la carga!, incitando toda a equipa para o ataque. Para além dele, apenas o guarda redes Luís Maidana, o homem gato, jogou sempre no clube durante essas históricas 5 épocas. Os dois primeiros títulos, 58 e 59, foram obra do técnico Hugo Bagnulo, que, descobridor do criativo médio ala direito Luís Cubilla e do goleador Spencer no Equador, formou um sólido onze por onde sobrevoavam os longos passes em profundidade de William Martinez, o canhãozito, e que tinha, entre outros, o brasileiro Alves da Silva, Walter Aguerre, Borges, Albert Hein, Linnazza, Roberto Garcia e o avançado Hohberg. Seria com este bloco que, em 1961, o argentino Hector Scarone, sempre fiel ao tradicional 4-4-2, iria guiar o Peñarol á conquista da primeira Taça Intercontinental da sua história, goleando o Benfica de Eusébio por 5-0, após o 0-1 da Luz. No jogo de desempate, 48 horas depois ainda no Uruguai, dois golos do intuitivo Sacía deram a Taça aos uruguaios, 2-1. Depois de Bagnulo, o Peñarol encontrara maior maturidade competitiva com Scarone, seu antigo lateral direito nos anos 40. Como recorda o capitão Tito Gonçalves: Deu personalidade aos jogadores que não a tinham e travou aqueles que a tinham em demasia.

SÁCIA gol!

Um dos jogadores decisivos na campanha do primeiro quinquénio, foi, a partir de 1961, o sórdido avançado Sácia, que jogara no Boca Juniores e que era odiado pelos defesas e guarda redes contrários que o acusavam de, muitas vezes, lhes atirar terra aos olhos! Uma história confirmada pelo brasileiro Gilmar, que o defrontou pelo Santos em 62: Tudo aconteceu numa falta que ia ser marcada contra nós. Vejo então que Sacía, quando se prepara para marcar, se abaixa para apanhar terra. Perguntei-lhe o que fazia, mas ele virou-me a cara. Fui para a baliza e quando partiu o cruzamento, iniciei o movimento para sair á bola. Foi então que ele veio em minha direcção e atirou-me a terra aos olhos. Fiquei sem ver por segundos e ele, esperto, fez o golo!

REAL MADRID-PEÑAROL : DUELO MITÍCO

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL7Nos anos 60, ficaram célebres os titânicos confrontos entre o Real Madrid e o Peñarol, na Taça Intercontinental. Era o choque de duas distintas escolas futebolísticas, mas que falavam a mesma língua. No primeiro embate, em 1960, o Real Madrid esmagou os uruguaios, 5-0! Em 1966, seis anos após essa goleada,, o Peñarol reencontrou o Real Madrid, onde a geração de Di Stefano dera lugar ao chamado onze yé-yé. Os uruguaios, fechados a sete chaves pelo elástico guarda redes Mazurkiewicz, que esteve presente em 3 Mundiais, 66, 70 e 74, e aprendera tudo com Maspóli, agora treinador, venceram 2-0 ambos os jogos, praticando um futebol sedutor que era seguro na defesa por Pablo Forlan, e obedecia, na meia-cancha aos toques de Gonçalves, Cortes, Abbadie e Pedro Rocha, encontrando depois o caminho do golo nos remates de Joya, Sasía e, sobretudo, Spencer, autor de 3 golos O orgulho charrua que nunca gosta de perder frente ao Império castelhano estava reposto.

PEDRO ROCHA: Técnica, coração e mucho fútbol

Pedro Rocha simbolizou, nos anos 60, o moderno jogador uruguaio: tecnicista, que gosta de ter a bola nos pés, mas é um fosso de temperamento. Nas sua botas a bola divertia-se 90 minutos. Interior esquerdo de grande nível técnico, ingressou no Peñarol com apenas 17 anos, em 1959. Nas 9 épocas seguintes conquistaria 7 títulos de campeão uruguaio. Chamavam-lhe El Verdugo, o carrasco. Fez 62 jogos pela selecção e esteve em 4 Mundiais, 62, 66, 70 e 74. Era um modelo de correcção em campo. Em 1971, transferiu-se para o futebol brasileiro, onde jogou, com sucesso, no São Paulo. Dele disse Pelé, em 1968, que era um dos melhores 5 avançados do mundo

SPENCER: O Gato do Equador

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL8Foi o melhor jogador da história do futebol equatoriano. Era um avançado completo, adulto e veloz, com grande precisão de remate. Foi contratado pelo Peñarol em 1959, por conselho do técnico Bagnulo, após um jogo que realizou contra os aurinegros, onde marcara um golo fabuloso. Por 10 mil dólares, o presidente Guelfi trouxe-o para o Uruguai. Estreou-se em 8 de Março de 1960, marcando 3 golos ao Atlanta Buenos Aires, numa vitória por 6-3. Ficou no Peñarol até 1971, vencendo 8 campeonatos, marcando 343 golos. O prestígio no seu país era de tal dimensão que foi nomeado Consul do Equador em Montevideo. Era um goleador para os momentos difíceis. Raramente era o autor do segundo ou do quinto golo, marcando antes o que se necessitava para ganhar ou empatar sobre a hora. Ao longo de toda a sua história, o Peñarol sempre teve grandes goleadores: o educado Piendibene, anos 20, o indecifrável Miguez e o furioso Hohberg, mas nenhum atingiu a dimensão de Spencer, que, naturalizado uruguaio, faria, ainda 7 jogos pela selecção celeste.

FERNANDO MORENA: O goleador infalível

CLUB ATLÉTICO PEÑAROL9Durante os anos 70, um grito ecoou por muitas canchas uruguaias: Nando!!! Eles destinavam-se a celebrar os golos do maior goleador da história do futebol uruguaio: Fernando Morena, El Potro, o artilheiro infalível, autor de 235 golos na Liga uruguaia, 34 deles apontados em 75, sendo até hoje record da prova, batendo a anterior marca de Young, datada de 1933. Em 1978, bateu outro record, na posse de Falero desde 1947, fazendo 7 golos num só jogo, contra o Huracan. Foi o melhor marcador do campeonato por 7 vezes, 6 delas consecutivas, 73, 74, 75, 76, 77 e 78. Ingressou no Peñarol em 1973, vindo do River Plate de Montevideo, saindo em 1978, para o Rayo Vallecano de Espanha. Foi 7 vezes campeão uruguaio.

93-98: O SEGUNDO QUINQUENIO

Ansioso por honrar o centenário da sua fundação, o Peñarol formou, nos anos 90, uma forte equipa que, dona do genuíno estilo uruguaio, lançou-o na senda do segundo quinquenio da sua história, logrando 5 consecutivos títulos de campeão: 93, 94, 95, 96 e 97. Um feito de dois treinadores: Gregorio Pérez, primeiro, e Jorge Fossati, depois. O lema inicial de Pérez foi claro: Há que recupera a mística! Assim foi, com um fantástico onze, onde se destaca, o central Nelson Gutierrez, um produto da cantera, que jogara ainda na Intercontinental de 82, o médio inventor Pato Aguilera, o dinâmico Carlos De Lima, o lutador De los Santos, El Chueco Perdomo e o último grande símbolo aurinegro: Pablo Bengoechea, El Professor, presente nos 5 títulos. Fez 188 jogos e marcou 48 golos. O seu grande ídolo de infância era o brasileiro Falcão. Durante toda a sua carreira procurou seguir o seu estilo. Foi sempre um cavalheiro dos relvados. A imagem perfeita do centenário espírito do Peñarol, preparado para mais 100 anos de intensa paixão futebolistica.