Com Sombra de Pecados Tácticos

14 de Fevereiro de 2018

Pressionar na dimensão do nosso campeonato é uma coisa. Pressionar na dimensão máxima da Champions é outra. O FC Porto olhou para este jogo, pensou no plano e entendeu que mais do que pressionar a saída de bola dos três médios do Liverpool  seria melhor jogar em organização, isto é, sem bola (ou perdida a posse) baixar as linhas do duplo pivot Sérgio Oliveira-Herrera, em geral pressionante, em vez de darem passos em frente antes recuarem para formar a segunda linha de 4 a frente dos defesas numa posicionamento de 4.4.2 no momento defensivo. Depois esperaria a altura ideal para interceptar o passe e lances a transição rápida e contra ataque desde trás. Era um plano mas com isso como que "deu" o meio campo -corredor centra de construção- aos médios do Liverpool (para além disso mais fortes nas bolas divididas em intensidade táctica). E vindos desde trás com espaço eles (Henderson-Milner-Wijnaldum) raramente falham passos e passes.

Desta forma o Liverpool como que fez ao jogo do Porto aquilo que outra estratégia portista com o bloco mais subido devia ter feito ao jogo (essencialmente aos médios) do Liverpool.

A opção Otávio como terceiro médio, n.10 puro do 4.3.3 (embora livre para cair na direita) foi sempre atraente na altura da posse e dos ataques. Com bola a chegar ao pé, Otávio inventa logo jogadas de desequilíbrio . Sem bola, não consegue pressionar a saída de bola adverseis neste nível competitivo (muito mais alto do que o do nosso campeonato) e assim como que o núcleo central portista falhava a ocupação táctica do meio campo (na pressão para recuperar e na intensidade para construir) . Não havia espaço para a técnica de Otávio ou Brahimi.

Tentou mudar na segunda parte depois de perceber que este jogo não era tacticamente para Otávio e tentou em 4.4.2 subindo Sérgio Oliveira-Herrera para em vez de esperar fazer antes pressão mais à frente (adiantando Sérgio Oliveira). Durou poucos minutos. O Liverpool activou o modo de gestão táctica activa e descobriu espaços para o contra -ataque.

A equipa do FC Porto desintegrou-se e o resultado subiu até cinco golos de diferença. O FC Porto falhou tacticamente o plano de jogo ao abdicar da pressão para preferir organização de cobertura e perdeu hipóteses de controlar ou discutir o jogo.

O resto é Salah, Firmino e Mane, três avançados dos "Reds" a voar para a baliza portista. A segunda parte tornou-se penosa para o FC Porto mas esta montanha de futebol que tinha caído em cima da equipa portista já tinha tido origem na primeira parte. As sombras de pecados tácticos que ficaram claros no erro estratégico, o choque com a dimensão internacional e, por fim, a diferença que nomes errados no sistema (4.3.3) certo, sentenciaram o jogo.

Ponto final.