Como a Islândia chegou aos oitavos-final?

27 de Junho de 2016

No fim do jogo, após uma explosão em delírio de todo o pequeno mundo islandês, de jogadores, adeptos e até o narrador na tribuna de imprensa (e não custa imaginar todos os que restavam dos 330 mil habitantes desta terra do gelo aos pulos), quando questionado ainda no relvado pelo repórter também enlouquecido de qual era o segredo para este feito, Gunnarsson o médio da Islândia com grandes barbas e braços de lenhador com tatuagens respondeu sem dilemas:

-“Não sei, não me perguntes isso, não faço ideia como isto foi possível! Só sei que demos tido em cada jogo, que lutamos e jogamos com todas as forças que tínhamos”. Nunca tinha ouvido explicação táctica mais precisa do que esta.

A Islândia que tem jogado na fase final do Euro é, estrategicamente, diferente da que esteve no apuramento. O 4x4x2 é o mesmo, mas agora surge num bloco muito mais baixo, com o meio-campo quase encostada à defesa, quando no apuramento surpreendera porque esse mesmo 4x4x2 era até demasiado ambicioso e aberto na fase ofensiva para as capacidades da equipa.

Para os relvados franceses, o técnico Lagerbeck como que decidiu “congelar” a equipa atrás em duas linhas de “4”. Depois, quando sai, é num lançamento longo de linha lateral ou uma fuga rápida à frente, onde estão sempre dois avançados móveis à espera da equipa (desde o “lenhador” Gunnarson ao criativo Sigurdsson).