Como avançar com a bola: Porquê querer regressar ao “duplo-pivot”?

25 de Janeiro de 2016

A estreia de um treinador a meio da época costuma ter um efeito essencialmente emocional. A equipa como que leva um “choque eléctrico” e de repente começa a correr mais depressa, mas para além desse processo “instintivamente reativo” há sempre algo de novo no plano das ideias.
Não esperava que Peseiro mexesse daquela forma no meio-campo. De 4x3x3 para 4x2x3x1. E, assim, o debate vindo de Lopetegui continua. O desenho e dinâmicas a partir do meio-campo, espaço nuclear onde a rotatividade permanente, de jogadores e estrutura, nunca deu estabilidade de jogo à equipa.
Conceptualmente, não sou adepto duma equipa grande no nosso campeonato a jogar com duplo-pivot. Não vejo necessidade táctica para isso em face dos adversários que defronta. Mas se tiver jogadores para isso, e, sobretudo, não tiver um 6 que assuma essa posição sozinho de forma indiscutível (como, no exemplo do FC Porto, era Fernando) admito que bem rotinada em complementaridade (quem fica, quem sai) pode dar resultado.

Na prática, esse inicio de construção “a dois” que Lopetegui já fazia tinha como consequência retardar a saída de bola desde trás (dando tempo ao adversário de baixar linhas ou pressionar logo nessa fase).
Outra questão tem a ver com as características dos jogadores. Ficando Danilo mais posicional, pedir a Herrera para iniciar a “construção profunda mais vertical” traduz-se, na prática, em por o jogador a correr mais com a bola (porque ele pensa/age no jogo assim). Diferente seria conduzir a bola “queimando linhas” como fazia Imbula em Marselha mas que no Porto não sai da “garagem”.
O FC Porto necessita de “outro tipo de jogador” no plano das ideias próprias para essa a saída de jogo. Conciliar jogadores tão diferentes e tão próximos em campo como Danilo e Ruben Neves é, nesse sentido, o grande desafio de Peseiro. André André declaramente a 10 é outra questão, para outro artigo.