Como ganhar um jogo (só) na cabeça

16 de Abril de 2016

Imaginar que o “impossível” é apenas um pouco mais difícil de conseguir não implica fugir à realidade. O futebol é, nesse campo, um “mundo á parte”. O Bayern de Guardiola é um monstro que faz o que quer da bola mas pode, se tocado no sitio tático certo, não fazer o que quer dos espaços. O Benfica de Rui Vitória é uma equipa inteligente em dominar o que sabe ser “possível” (e aconselhável) fazer a cada momento do jogo.

A primeira tentação de análise desta eliminatória é falar da fuga encarnada à “saga das goleadas bávaras” mas depois do bom “jogo tático” de Munique e do golo de Jimenez na Luz, sonho e realidade estavam empatados já na segunda mão.
Existiam bases tácticas para isso. Pizzi sentia-se estranho na zona interior mas a sua presença podia ser importante frente ao lado mais cerebral do “jogo guardoliano” que tirara o ponta-de-lança Lewandowski para acrescentar mais um médio à equipa. Ambos os treinadores, aliás, fizeram-no. Menos um avançado, mais um médio em cada onze.

A diferença em termos de controlo de jogo é que o “médio a mais” do Bayern era a visão distribuidora de Xabi Alonso. Estabilizava a equipa e permitia que a complementaridade de toque (dbenfica-bayerne Thiago) e intensidade (de Vidal) ganhasse mais território de ação. Quando aquela “bola perdida” à entrada da área foi apanhada por Vidal e só parou na baliza, a ideia de jogo bávaro regressou ao “cofre-forte” que Jimenez arrombara. Resgatou a estabilidade e o Benfica voltou a ouvir/sentir a palavra “impossível”.
Olhando os dois jogos, o ponto de maior decisão para a(s) estratégia(s) encarnadas esteve na oportunidade perdida para marcar na primeira mão. Foi o momento decisivo da eliminatória. Ou, pelo menos, de a tornar mais possível.
No segundo jogo, Rui Vitória geriu toda a atual realidade competitiva da equipa nesta fase da época. Não forçou Gaitan e Mitroglou a luta pelo titulo não podia tirar os pés da terra atraída pela “tentação impossível” da Champions. Por isso tirou Pizzi quanto sentiu esse “sonho fechado”.

Raramente as derrotas dão moral competitivo às equipas mas nunca como neste caso “a forma de perder” era importante como “transfer” para os jogos seguintes do campeonato. Nesse ponto, Rui Vitória ganhou (com este tipo de eliminação assustando o monstro) esse “jogo mental” para a sua equipa.