Como jogam os “espelhos” de Modric?  

24 de Junho de 2016

Talento as seleções croatas sempre tiveram. O problema foi, muitas vezes, também terem um lado temperamental que traiu a qualidade futebolística. Esta Croácia gerida pela maturidade dos 30 anos e Modric parece diferente. Mais consistente e consciente da união entre o perfume da técnica e o carácter das Balcãs. Tem um ponta-de-lança clássico na frente, agressivo, esguio na passada larga e na impulsão, Mandzukic, mas é na posse de bola que se destaca colectivamente.

Consegue, mesmo em 4x4x3, ter o meio-campo sempre com... quatro jogadores. A chave para essa “ilusão de sistema” é dado, desde a direita, pelo falso ala Brozovic. Ele não faz, porém, meras diagonais da faixa para o centro. A questão é mesmo posicional, pois, em vez de aberto, Brozovic tende a fixar-se na meia-direita e dar nesse espaço um “jogo posicional” de apoios que tanto permite segurar o sector em cobertura como em construção apoiada a atacar. A profundidade na faixa é dada pelo lateral Srna (sendo, então, o espaço que fica livre nas suas costas que Portugal pode explorar na desordem croata).

Na outra faixa, a esquerda, existe um extremo quase puro, o jogador mais rápido do onze, Perisic, com poder de explosão e finalização.

A chave é Brozovic

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Com Badelj como pivot-equilibrador sendo o médio-centro mais defensivo do onze, Modric assume um papel de organizador recuado (ou melhor, desde trás, sempre de frente para o jogo) conduzindo a bola e o jogo da equipa. Noutra linha, á sua frente, fica Rakitic, vagueando em largura ou avançando-recuado par receber, tabelar ou avançar na zona de definição e “ultimo passe”. É nesta aliança de estilos e missões táctico-posicionais (com dinâmica) destes quatro homens: Badelj-Modric-Brozovic-Rakitic, que mora a chave táctica do bom jogo croata.

Na defesa, a equipa, não é tão segura. Srna é o líder espiritual mas por vezes sobe demais no terreno para a fase da carreira em que está, e, na esquerda, Versajlko pode dar mais garantias do que Strinic (o preferido do selecionador). Na dupla de centrais, quer Vida como Corluka (que também buscam dobrar nas faixas) expõem-se várias vezes aos erros.

Não é uma equipa muito agressiva sem bola. As recuperações que fazem surgem, essencialmente, pela sua cultura táctica de posicionamento do seu meio-campo que passa facilmente de três para quatro jogadores com essa missão. Começa a defender na frente e ataca desde trás com criatividade. É o “espelho e Modric”