Como jogou o Benfica em Braga; Sporting em Milão

23 de Novembro de 2006

Como jogou o Benfica em Braga; Sporting em Milão

No final do jogo com o FC Copenhagen, Fernando Santos, com a segurança que só a vitória pode dar, disse que estava identificado o problema para as anteriores derrotas do Benfica, como a sofrida em Braga, por 3-1.

Tudo tem a ver com a afinação de movimentos do losango, aquela diabólica figura geométrica táctica que desenha o meio-campo encarnado. Se, com bola, a atacar, as coisas vão funcionando, a defender, sem bola, tudo é diferente. O jogo frente a um Braga foi um bom exemplo. Frente a um adversário que joga em 4x3x3, com extremos, e laterais ou médios interiores subidos em apoio para tabelar, é necessário que os médios ala do losango saibam fazer, sincronizadamente, o movimento contrário ao habitual de abrir em posse e fechar no meio sem bola. Ou seja, como o Braga ataca com um extremo mais um lateral ou médio, é necessário que para garantir pelo menos igualdade numérica zonal no ataque à bola, não fique apenas o defesa-lateral benfiquista frente aos 2 adversários que atacam. Pede-se, portanto, que um dos vértices ala do losango também descaía para essa faixa a trabalhe na marcação à zona, para assim cobrir o espaço e encostar nos dois adversários que invadem esse espaço. Este comportamento defensivo alterna de flanco para flanco. No meio, o trinco (Petit), deve encostar no médio centro ofensivo adversário (J.Pinto). Nada disso sucedeu.

Como jogou o Benfica em Braga; Sporting em MilãoOs médios ala continuaram a fechar no meio sem bola e deixaram os flancos abertos para as triangulações um-dois do Braga. É preciso, portanto, agilizar os princípios de movimentação dessa dupla de flanqueadores na transição defensiva. Saberem bem quando devem abrir e fechar, sem ficar presos aos hábitos de o fazer só consoante ou não a posse. São as tais nuances estratégicas especifícas, que, jogo a jogo, sem adulterar a sua filosofia base, o treinador deve incluir na estratégia da equipa em função da análise feita aos pontos fortes do adversário.

COMO JOGOU O BENFICA EM BRAGA: Falhas de marcação e «zona» mal feita

Como jogou o Benfica em Braga; Sporting em MilãoEmbora mantendo o losango no meio-campo, ao Benfica em Braga faltou inteligência para perceber a forma de jogar do adversário. Manteve as mesmas rotinas de movimentação, abrindo nas alas em posse e fechando no centro sem bola, mas, com isso, perdeu o controlo das faixas a defender.

Atacando pelos flancos em 4x3x3, com extremos e um lateral, à direita, ou um médio interior, à esquerda, o Braga ficou sempre em superioridade numérica nessa zona. E m vez de fecharem no centro, os médios ala encarnados deveriam ter descaído mais para o flanco na cobertura. Por entre este mundo de equívocos táctico-posicionais, o Braga dominou, controlou e ganhou com naturalidade.

 

 

 

 

 

 

COMO JOGOU O SPORTING EM MILÃO Falta de ligação «entre-linhas» a atacar

Como jogou o Benfica em Braga; Sporting em MilãoReceando o Inter, Paulo Bento alterou a dinâmica de jogo, surgindo numa postura mais conservadora que, sem bola, colocava Paredes próximo de Custódio na primeira linha defensiva. Recuperada a bola, soltava-se na direita, mas sem grande profundidade, num movimento semelhante ao de Farnerud na esquerda. Sem Lieson e Djaló, o 4x4x2 perdeu as setas atacantes e alinhou só com um ponta de lança, Alecsandro, ficando Moutinho e Nani a deambular nas suas costas, mas com as linhas do meio-campo muito distantes, num desenho táctico muito próximo do 4x5x1. Desta forma a equipa ficou muito longa e partiu-se na transição defesa-ataque.

Uma estratégia por entre a qual se perdeu Nani sem nunca descobrir a posição ou a dinâmica certa para abordar o jogo nos últimos 30 metros.

 

 

 

 

 

O habitat de Nani

Como jogou o Benfica em Braga; Sporting em MilãoHá várias formas de abordar um jogo. Partindo da esperança e da visão defensiva. Ou partindo do receio e da preocupação defensiva. O Sporting caiu da Liga dos Campeões em Milão. Nada de grave. Em debate, a colocação de Nani num espaço entre-linhas, sem se definir como médio ou segundo avançado, condicionou a equipa a atacar. Esta indefinição posicional ultrapassa, porém, este simples jogo, e pode-se aplicar um pouco ao actual momento da carreira de Nani. Jogando solto na segunda linha do meio-campo do Sporting, é um vagabundo sem posição fixa, mas, pensando em termos de futuro, é importante Nani ter uma clara referência de posição preferencial onde o seu jogo tenha um abrigo seguro. Pelas suas características, forte no um para um, e astuto a esconder-se do adversário para depois surgir na área desde trás, o seu melhor habitat parece ser a faixa. A partir daí pode evoluir para espaços mais centrais, mas é no flanco que os subsequentes movimentos do seu futebol encontram o melhor local de gestação.