Como o futebol italiano se refugia ideologicamente

22 de Fevereiro de 2016

O nível exibicional da equipa (e empatia jogadores treinador) baixara para níveis perigosos, mas ao desistir de Rudy Garcia, a Roma abdicou do treinador que tinha protagonizado o projeto de jogo mais atraente visto no Calcio nas últimas épocas. A contratação de Spaletti, mais do que um regresso ao passado, significa a tentativa de revitalizar a equipa resgatando as suas raízes tácticas italianas conservadoras mais profundas. O jogo contra o Real Madrid (como outros no Calcio) traduziu essa ideia.
Ao refugiar-se naquilo que são as suas maiores certezas em jogar “atrás da linha da bola” em coberturas defensivas de espaços, o futebol italiano parece que rejuvenesce. Basicamente, fica mais confiante no que faz mesmo que isso no jogo se traduza numa equipa a reduzir o campo a 30 metros, dimensão de terreno medida a partir da sua baliza.
No papel, até pode continuar a desenhar-se o 4x3x3, mas ao prescindir de um nº9 puro (como Dzeko) para optar por um “falso 9” (como foi Perotti, que é de origem um ala) a equipa junto os avançados aos médios e com isso monta um processo defensivo com linhas juntas que, em campo, desenha a equipa num bloco compacto que quase não distingue sectores.
As únicas vezes que a equipa punha tacticamente o “nariz de fora” era nas saídas individuais em velocidade de Salah ou El Sharaawy, ambos arrancado desde as faixas. Dois bons jogadores em velocidade (mais indicados para sistemas de contra-ataque) mas quase sempre com problemas na definição das jogadas.
Esta Roma de Spaletti podia nem merecer uma análise tão profunda. A questão é que ela não representa uma estratégia. Ela representa uma ideologia. E, neste caso, um recuo filosófico que, numa frase, se traduz em preferir não ter a bola para segurar um jogo, do que preferir ter a bola para tentar ganhar um jogo. Em Itália, resistir a tentações são princípios base de futebol.