Como Reequilibrar o… Equilíbrio

11 de Novembro de 2016

Poucos dias de chegar ao Marítimo, Daniel Ramos referiu que no seu processo para melhorar a equipa falou na solidez defensiva como o pilar. “Também temos trabalhado o lado ofensivo, mas esse demora mais a aparecer e por isso o nosso grande pilar é a organização defensiva como base e a ofensiva como complemento”.

Nesta frase, ideal para inicio de um debate, está uma ideia em que se entende a necessidade de transmitir a segurança e disciplina de posicionamento como base para uma equipa começar a jogar. E friso a palavra “começar” na frase anterior. Por isso ser uma base.

É comum considerar isso como defensivo ou organização defensiva. No sentido de encaixar este pensamento num dos quatro momentos do jogo, pode ser. Mas num plano global do jogo não é. Porque o desdobramento da estrutura disciplinada pressupõe a organização ofensiva como um elemento fazendo parte da natureza inquebrantável (na interligação permanente dos quatro momentos) que o jogo tem de ser.

Nuno disse que os “sistemas são infinitos”. Nas diferentes dinâmicas de movimentos conjuntos que as equipas (os jogadores) fazem em campo durante o jogo, são.

No sentido de que se formos tirando sucessivas “fotografias” aos posicionamentos do onze, vamos, de facto, encontrar, diferentes sistema sucessivamente desenhados e logo depois desfeitos para aparecerem outros.

A questão/desafio não é, no entanto, esse, mas sim o de em qualquer um desses diferentes “momentos de sistema” (que no fundo representam diferentes momentos de jogo) a equipa esteja sempre equilibrada ou, o que é mais importante, quando tenha de se.. desequilibrar defensivamente para atacar seja capaz depois de se... reequilibrar rapidamente para defender (equilibrando-se novamente).

O “jogo real” é, no entanto, caótico por natureza, sendo difícil reencontrar rapidamente o equilíbrio quando se perde a bola. Por isso, é tão importante saber... perder a bola (como é a ter, em posse).

É nesse ponto que considero que o factor atualmente mais forte no jogar do FC Porto de Nuno é a recuperação de bola subida a meio-campo (atenção, não disse pelos médios). Esse é o melhor sintoma de equilíbrio que, no fundo, era o que Daniel Ramos queria dizer quando falava na organização defensiva como pilar da construção.

É, de facto, difícil ver onde começa e acaba o jogar duma equipa, mas consegue-se ver esse principio no colocar os jogadores em campo. É, por isso, que quando antes do jogo começar e a bola está no centro, cada jogador se coloca numa posição e não noutra. É a estrutura. O principio de tudo. A base equilibradora. Nessa altura estão preparados para defender e... atacar. O caos do jogo vem depois.