Como saber (não) ser “pequeno”

21 de Junho de 2016

Foi no nosso apuramento uma equipa “quase-objecto misterioso” que ninguém entendia como podia estar naquela posição, em cima na classificação. Esta fase final do Euro confirmou, porém, a solução do enigma do milagre da Albânia.

Vai ter de esperar ainda pelo fim para saber se fará parte dos melhores terceiros, mas seguindo ou não em frente, o onze albanês do italiano De Biasi foi, à sua medida competitiva, das equipas mais bem organizadas vistas até agora. Deu muito mais aos jogos do que recebeu deles no final (em termos de resultado).

Perdeu logo no primeiro jogo o seu líder dessa a defesa, Lork Cana (expulso) mas nunca perdeu a organização com bom toque de bola (quer apoiado, quer esticando mais em profundidade) do seu 4x3x3 onde os médios Abrashi e Memushaj (já a jogarem na Alemanha, Fribourg, e Itália, Pescara) deram sempre presença táctica como interiores a defender e lançar o ataque sempre com alas bem abertos, Lenjani (do Nantes) e Lila (do Giannina grego). De quem gosto mais sobre a faixa é, porém, de Roshi, elegante com a bola, técnica e que passa bem pelos adversários (25 anos a jogar na Croácia, no Rijeka). Gostava que Gashi (que anda por uma equipa dos EUA) tivesse jogado mais. O herói que fez o golo sonhador, é um ponta-de-lança rápido, que nunca para de procurar espaços vazios e tentar rematar: Sadiku (que joga no Vaduz, uma equipa do Liechtenstein que disputa a Liga suíça).

Tenhamos respeito especial por estas seleções que conseguem ser competitivas feitas a partir deste material. Sobretudo num Europeu que se alargou para além dos limites das fronteiras naturais da maior qualidade das suas seleções. Nunca entrou nos jogos atemorizada e a construir simples muros à frente da defesa. Quis sempre ter uma “voz táctica” mais ativa o jogo noutros momentos, o de ter a bola.

Estes nomes que apareceram por este artigo muito provavelmente só voltaram a aparecer por estas páginas em tímidas fichas de jogo. Quando tanto se critica as equipas pequenas que fazem “trincheiras” e só querem defender, a Albânia é a prova que pode existir outra “qualidade táctica de vida futebolística” a partir de outras ideias sem perder a noção da sua verdadeira dimensão. Conseguir ultrapassá-la jogando os oitavos seria apenas seguir a lógica do bom futebol deste Euro.

Perdidos no espaço

Tenhamos respeito também pelas equipas que começam a despedir-se deste Euro. Algumas, porém, deixam uma sensação incómoda. Porque podiam ter jogado mais. Foi o caso da Roménia. Tinha jogadores para isso, mas Iordanescu nunca conseguiu encontrar a melhor forma de explorar os... melhores jogadores. Não entendi como Torje, perigoso e desequiibrador ala/extremo, não foi sempre titular e como não deu confiança ao melhor ponta-de-lança (Andone) que andou fora e dentro da equipa. O 10 Stanciu, que tem talento para por si só tornar a equipa mais perigosa, não foi titular contra a Suíça e neste confundir de peças-chave, Stancu perdeu-se ente jogar na faixa ou no centro. Ficou a meio caminho. A equipa, em termos de rotação táctica, resistiu enquanto resistiu Pintilii, um nº8 que come a relva, recupera e carrega a equipa, temporizando com agressividade. Não jogou o jogo decisivo contra a Albânia, onde até o gigante guarda-redes Tatarusanu ficou, como toda a equipa, a “meio da viagem” numa saída mal calculada.

O futebol romeno atravessa um momento difícil. Este Euro podia ser importante para resgatar referências para um novo onze base competitivo. Não foi o caso.