COPA AMÉRICA 2015 DIA 1

28 de Junho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 1

DIARIO DA COPA AMÉRICA 1

Questão chilena: ”Somos mesmo assim tão bons?”

Respondendo à ansiedade dos “hinchas” por novos heróis, o futebol chileno gerou, de 2010 a 2014, as melhores selecções da sua história (a de Bielsa e a de Sampaoli), o melhor jogador da sua história (Alexis Sánchez), o melhor guarda-redes (C. Bravo) e o melhor grupo de jogadores da sua história (a chamada “geração dourada” da Europa). Esta opinião pode ser discutível, e haverá quem invoque logo Caszely e Figueroa, lendas dos anos 70/80, a selecção de 62 (3º lugar no Mundial dirigida pelo sábio Fernando Riera) e os mais fanáticos do passado até Rojas nas redes, mas para o comum dos mortais chilenos nunca uma selecção, jogadores e treinadores, os fez sonhar tanto como a actual.

Talvez porque é também uma selecção aparentemente “impossível de existir”, por apostar num sistema de três defesas, com laterais (Beausejour e Isla) a subir enlouquecidos, mas onde moram três centrais baixotes que viram “patas arriba” a lógica física da posição: Medel (1,71m e que na maioria da carreira joga a médio), Jara (1,78m) e Mena (1,75).

COPA AMÉRICA 2015 DIA 1Consegue iludir esse lado físico pela rotatividade do seu meio-campo, com três médios corre-caminhos, Diaz (pivot), Aranguiz (de 8 a 10) e Vidal (o motor do onze). Desta forma, metendo Valdivia a 10, quase desenha um losango no meio-campo ficando Sanchez solto a avançado-centro.

A velocidade com que começou o jogo com o Equador, nas pernas e sobretudo no passe em profundidade para as costas da defesa equatoriana, tornou-se, na segunda-parte, num jogo mais apoiado, por abrir o ataque com Vargas e Alexis nas faixas e Valdivia a falso 9. Era então já um esboço de 4x3x3. A ideia-base deste modelo de jogo veio de Bielsa, sofreu um abalo com Borghi, mas renasceu com Sampaoli numa versão tacticamente mais completa pois ganhou claramente maior equilíbrio defensivo no momento de perda da bola.

Para que a história consagre mesmo esta nova geração (chuteiras e banco) acima das outras, esta Copa América é a melhor resposta á pergunta dos “hinchas” chilenos da actualidade: “Somos mesmo assim hoje tão bons?”

Em cada finta, uma promessa

COPA AMÉRICA 2015 DIA 1O Equador segue a evolução do seu futebol juntando diferentes traços: o físico e a técnica, a organização defensiva colectiva (com centrais fortes Achilier-Erazo e um duplo-pivot fixo Noboa-Lastra) e os desequilíbrios ofensivos individuais (pelos extremos de "zigzags" no um-para-um, o destro Montero, á esquerda, que passa pelos laterais como se eles nem existissem, e o canhoto Fidel Martinez, à direita, procurando mais diagonais e remate).

Num 4x4x2 clássico, Valência fica a nº9 e acaba por ser Bolaños o elemento que procura ligar as pontas no corredor central. Nunca pensa como médio, mas é muitas vezes forçado a agir como um. Continua um talento indefinido porque apesar da técnica não tem cultura para jogar nessa zona militarizada entrelinhas. Todos estes três craques (Fidel-Montero-Bolaños) têm já 25 anos e ainda necessitam de dar… consistência ao talento.

Um onze de belas promessas em cada finta com arranque de Montero mas que depois poucas vezes termina bem o cruzamento. Nessa altura sente-se como todo o talento necessita, na última palavra, de usar mais a pausa e a cabeça.