COPA AMÉRICA 2015 DIA 10

31 de Julho de 2015

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 10

A moral do jogo de “El Pipita” e do “El Kun”

Como é possível uma equipa ficar com menor poder de finalização quando passa a jogar com um verdadeiro ponta-de-lança em vez de um daqueles 9 móveis que andam por todo o lado? Se calhar a resposta está mesmo neta última parte, os que “andam por todo lado”. Porque nessa expressão vagabunda do jogo em 25/30 metros está uma constante fuga às marcações, tirando aos defesas uma referencia fixa (o jogador e o local) a quem vigiar e passando a baralhá-los, com a busca de largura (para pegar na bola e tabelar) e no oferecer de profundidade (poder de desmarcação nas costas). O nº9 fixo joga essencialmente em apoios.

Claro que enquanto escrevo isto, penso que os casos concretos são o “Pipita” Higuain e “El Kun” Aguero, e como a classe diferenciada de um e doutro pode influenciar a ideia. É verdade, mas neste caso penso mais em como essa referencia dá demasiadas... referencias aos alas e criativos que entram desde trás no 4x3x3 argentino.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 10Quem tinha mais a perder neste jogo, “ganho antes de se jogar”, era Higuain. Por isso foi o que lutou mais, desesperou-se quando falhava e festejou quando marcou logo aos 10 minutos. Tudo, porém, acabaria assim. O “problema goleador” argentino surge antes das diferentes expressões. (apenas 4 golos em 3 jogos). Em jogos contra um adversário tão fechado fica mais difícil quando se lhe diz logo a este como se vai querer acabar a jogada. “El Pipita” sofreu com isso sem encontrar (nem dar) profundidade.

Neste momento a melhor notícia para o jogo argentino é o crescimento de Di Maria. Como extremo-esquerdo do 4x3x3 dá-se ao jogo, “associa-se” por dentro, pega atrás, vai á linha ou faz diagonais. É quem arrisca mais no um-para-um com Messi a refugiar-se em zonas mais longe da baliza, deixando Pastore tomar a iniciativa da ocupação dos espaços. Os golos marcam-se já na área (ou perto), mas sente-se que é antes (por onde andam Messi, Pastore e os raids de Di Maria) que eles nascem.

Moral da história: Nenhuma. A não ser, talvez, que esta Argentina não faz sentido nenhum sem o “Kun” Aguero.

A “vocação defensiva”

COPA AMÉRICA 2015 DIA 10O jogo já não resolvia nada mas há coisas imutáveis. Uruguai e Paraguai são equipas que sobem o nível competitivo quanto mais os jogos apelarem à sua “vocação defensiva” para os controlar e devorar.

No papel, o 4x4x2 de ambos podia supor um jogo mais solto, mas a matéria de que são feitos os jogadores logo o levou para o físico, lances aéreos e divididos para resolver qualquer coisa. Giménez fez um golaço de cabeça e logo depois não aguentou Barrios de igual forma na outra área (1-1).

Este Uruguai tem bons avançados, mas todos parecem entrar mais para combater do que para jogar. Um estilo que desterra Rolán para uma faixa (onde lhe pedem para... fechar) e mete Abel Hernandez quase sobreposto com Cavani.

Nenhum tem estatuto para questionar a posição patriarcal de Cavani nesta “celeste”. Depois de um ano inteiro a viver na sombra de Ibrahimovic, na seleção “sentou-se” a nº9 e ai de quem ousar mexer-lhe no espaço. Duas expressões do mesmo jogador que são como uma luta entre “o bem e o mal futebolístico”, que tantos uruguaios transportam em qualquer “cancha”.