COPA AMÉRICA 2015 DIA 11

31 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 11

DIARIO DA COPA AMÉRICA 11

Sem Neymar, outro tipo de Brasil: pior ou melhor?

Willian ficou, sem dúvida, melhor jogador, mais “completo”, com Mourinho no Chelsea, mas às vezes dá vontade de rever o velho “Wiilian do Shakthar”. Aquele que (só) jogava virado para a frente e inventava sempre que pegava na bola. Ressurgiu ao terceiro jogo na Copa América. Continuou a recuar e recuperar, mas de repente como que deixou de ter tanta criatividade reprimida. E deu um recital no jogo. Organizando, criando, dando a marcar.

Tudo aconteceu sem Neymar. A seleção soube “associar-se” melhor (através do passe rápido), com maior velocidade de circulação de bola. Ela já não tinha de passar sempre por Neymar. Todos estavam “livres” (sem o condicionalismo mental de ver onde está o supercraque).

A pergunta que se coloca é, pois, paradoxal: o Brasil joga melhor sem Neymar? Não, não joga. Tal ideia resulta de uma simples ilusão de óptima futebolística. Nasce do facto do “Neymar da seleção” não ser o “Neymar do Barcelona”.

No primeiro caso, por voltar às origens de um futebol tão genial como malabarista, que quer fazer tudo sozinho e até fica frustrado quando corre sozinho e não ter ninguém a quem fazer um túnel. No fim, pega-se com o mundo. Era assim no Brasil.

No Barça, é outra coisa. Tem os egos de Luís Suarez e Messi ao lado a domar o seu génio, joga com a equipa, tabela, desmarca-se e finta quando tem de fintar (tirando “cabritos” no fim do jogo). O futebol não tem de ser sempre insolente.

Outro ponto: o onze que bateu a Venezuela mostrou como joga muito Coutinho. É o jogador brasileiro que mais me custa ver “enjaulado” nesta fase de afirmação (23 anos) por uma gestão de carreira sem sentido. Não cresce em Liverpool e no Inter esteve, muito provavelmente, no pior clube do mundo para isso. Com cultura táctica (tal como William), foi jogando ora “por fora”, ora “por dentro”, sempre com grande classe.

E aqui entra a tal ilusão. Porque sem o ego da individualidade o jogo melhora mas... melhoraria mais se acrescentasse a isto o Neymar com a mesma atitude técnico-táctica de Barcelona. Com outra forma de estar, viver e, por fim, jogar.

Querer ser aquilo que já se foi
Ver este Robinho a correr quase sem pescoço levanta uma dúvida inquietante para quem de repente o vê em campo sem olhar para a ficha de jogo: “quem é aquele jogador no meio atrás do ponta-de-lança?”

Confesso: aconteceu comigo no arranque do Brasil-Venezuela. Era Robinho, sim, mas era... “outro Robinho”. Para mim ele será sempre o Robinho pássaro exótico franzino de finta malandra com arranques e golo que tanto deslumbrou nos “meninos da Via Belmiro”, no Santos.

Este é a “outra coisa” em que o transformaram na Europa (na exacerbação física italiana) e que o seu modo de vida também permitiu. O seu talento em vez de crescer... engordou!. Literalmente, no corpo. Metaforicamente, no jogo.
Aos 31 anos, sinto que ele joga preso no seu corpo, porque acho que na cabeça continua a querer fazer as mesmas coisas de moleque. Só que o corpo já não obedece.

Podia dizer que se tornou noutro tipo de bom jogador, num 10 mais cerebral, mas não. Não o vejo com perfil e vocação para isso. Vejo-o sempre a querer ser aquilo que não pode ser. Aquilo que, afinal, já foi.