COPA AMÉRICA 2015 DIA 12

31 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 12

COPA AMÉRICA 2015 DIA 12

DIARIO DA COPA AMÉRICA 12

O melhor sintoma de que se joga... pensando!

A primeira fase desenhou os primeiros heróis e vilões. Vidal a jogar muito e depois a destruir um Ferrari na noite de folga. Neymar a colocar defesas “patas arriba” até se zangar com o exército colombiano e acabar fora do torneio. A Copa América é o único caso ao mais alto nível da aproximação selvagem e excessiva que o “futebol de rua” provoca.

Mas nem tudo são fintas, defesas desequilibradas, golos e Ferraris.

Também há quem veja o jogo, do banco, com o quadro táctico (a “pizarra”, como chamam os latino-americanos) sempre presente. Nesse contexto, o torneio está a provar a competência e sagacidade dum dos melhores treinadores sul-americanos: “El Tigre” Ricardo Gareca.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 12Antes, após longo trajeto desde as profundezas dos bancos das “pampas”, destacara-se no Velez Sarsfield. Está agora, aos 57 anos, no Peru, após curta passagem pelo Palmeiras. É um treinador mais “europeu” no sentido de pensar as coisas a médio-prazo.

Estrutura bem as equipas e dá-lhes identidade. Este Peru sem estrelas é uma equipa que, como se diz na Argentina, “vê-se ao que quer jogar”.

Isso é fundamental para ter o mais importante numa equipa dita de nível médio: organização e personalidade. Sentiu-se isso em todos os jogos, mesmo variando o sistema (o que acontece no avançar ou recuar de Pizzarro). É a seleção que tacticamente gosto mais de ver jogar.

Sampaoli, no Chile, tem uma “bela ideia de fútbol”, mas o romantismo dos três defesa baixos e, sobretudo, lentos, deixa a equipa sempre à berma do precipício. Serem baixos (todos com menos de 1.80m) é quase um “cartoon” futebolístico e até se vive bem com isso, mas a pouca velocidade é que já é algo a que dificilmente uma equipa resiste quando perde a bola. A Venezuela, que tem um bom meio-campo, sentiu isso na pele (com as pégadas lentas de Viscarrondo e Tuñez).

O Peru tem um estilo lento mas é nesse futebol que “vai caminhando pela cancha”, tem a vantagem de garantir sempre a organização atrás da linha da bola. Um sintoma de que joga... pensando! Melhor sinal não poderia haver.

Os que já viveram “duas vidas”

COPA AMÉRICA 2015 DIA 12Tenho admiração pelo que Pekermann fez no futebol-base argentino (após um ciclo de dureza) desde os anos 90. Formou gerações com técnica e toque. A Colômbia seria outro habitat perfeito, mas a equipa vive hoje sem saber relacionar faixas com zonas interiores. Parece querer jogar ao mesmo tempo nos dois espaços.

Quando surgem grandes planos, Pekermann parece-me um homem cansado.

Pensarão velho, mas ele tem apenas a cara daqueles carismáticos treinadores, como “El Coco” Basile e Menotti, que chegam aos 60 e poucos anos parecendo já ter vivido “duas vidas”.

Acho que quer que os jogadores joguem mais o futebol deles próprios do que o futebol que pensou taticamente antes do jogo. A lesão de Valência retira poder ao meio-campo (Mejia é mais soft) e, embora a “Rocha” Sanchez seja um 6 inquebrantável, daí para a frente, com Cuadrado a perder explosividade como extremo e uma dupla atacante (Gutierrez-Falcão) que não dialoga, tudo começa e acaba nos pés e movimentos de James da faixa até à posição 10. Quando ele chega bem aos locais de definição, toda a equipa chega bem.