COPA AMÉRICA 2015 DIA 13

31 de Julho de 2015

DIARIO DA COPA AMÉRICA 13

Porque a Argentina parece uma seleção “bipolar”?

O que intriga mais vendo esta Argentina de Martino são as sensações contraditórias que ela provoca em termos de qualidade/atitude de jogo. Sabe-se que “El Tata” quer a equipa a tocar a bola, de pé para pé (passe-posse-passe) até gerar oportunidades. Depois, perdida a bola, rapidamente a pressionar para a recuperar o mais alto possível. O intrigante é que tanto faz isto com qualidade e intensidade, como, pouco depois, baixa os motores, denuncia a elaboração, não pressiona e abre espaços (sobretudo no centro) para o adversário contra-atacar.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 13O deficit é, portanto, sobretudo a nível da pressão. Mascherano “morde” sempre a pivot, mas à frente dele, Pastore, Banega, até Biglia (mais fixo a 8) não têm essa intensidade sem bola. Longe disso. Esta Argentina precisava de um nº8 de maior intensidade para recuperar (o “achique” como os argentinos chamam aos “encurtamentos” de espaço de execução ao adversário) depressa e alto, saindo logo depois tocando com a criatividade vagabunda dos avançados, em cunha ou entrelinhas.

Perante este diagnóstico, surge o segundo enigma: quando o “lado lunar” da equipa se começa a notar em campo, Martino reage trocando avançados ou metendo mais médios... ofensivos. Nessa altura, mais do que seguir o jogo (e o que este pede), Martino segue a sua ideia.

O cruzamento ente os dois estados é sempre o ideal (em qualquer jogo ou ideia). É por não o fazer que na Argentina está agora a ser criticado, por não ter uma espécie de “plano B” para a equipa nessas alturas difíceis do jogo.
Não penso que seja esse o problema. O que seria necessário era reagir de forma diferente dentro do “plano ideológico inicial”. Em 4x3x3, são as características dos médios à frente de Mascherano que, alternadamente, traduzem as qualidades e os problemas desses dois momentos do jogo argentino. Não acredito em mudanças a este nível. Não existem médios desses alternativos no “elenco do Tata”. A solução será “matar” os jogos antes deles chegarem ao ponto (inevitável, face ao exposto) em que já não os controla.

Não leiam este artigo

COPA AMÉRICA 2015 DIA 13É habitual criticar uma equipa quando surge na expectativa, sentada no processo defensivo. Não acho justo. O futebol admite todas as estratégias. O que é criticável é quando essa equipa pode ter outra postura, mais atrativa/ofensiva, mas mesmo assim prefere ficar atrás.

O Paraguai é a seleção mais alvo desse rótulo/critica. O estilo vem dos anos 90, mas, vendo-a jogar hoje nas mesmas bases, nota-se que já é algo mais forte do que ela. Ramon Diaz quer mais da equipa ofensivamente (estilo e reação ao jogo) mas a todos estes jogadores guaranis custa-lhes muito pegar na iniciativa do jogo. Quando o fez contra a Argentina acho que até os surpreendeu a eles próprios. Voltaram ao mesmo com Uruguai e até Jamaica.

É o problema de muitas seleções: velocidade de circulação da bola. Não se iludam. Pode existir a velocidade vertical pura, que gera sucessivas oportunidades dum lado e doutro, mas tal resulta, quase sempre, de desequilíbrios defensivos. Criar lances de perigo frente a defesas ordenadas pela velocidade do ataque.. organizado, isso, poucas conseguem.