COPA AMÉRICA 2015 DIA 14

31 de Julho de 2015

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 14

A nostalgia do “Rei do metro quadrado”

Segui o jogo comentado por um dos maiores jogadores chilenos da história, Carlos Caszely. Nas “canchas”, anos 70/80, ele fintava e resolvia as situações mais complicadas nos espaços mais curtos. Por isso, ficou conhecido como o “rei do metro quadrado”. Ouvia as análises que ele ia fazendo, mas todos que viam como se jogava este fechado Chile-Uruguai estavam a pensar no mesmo. Um jogador como Caszely é que era preciso para desembrulhar espaços tão apertados, num choque táctico de marcações duras e em cima.

Um tipo de confronto em que mesmo com o Chile mais dominador, ofensivo e perigoso, sentia-se que era o Uruguai que estava mais confortável no jogo. E assim deve ter passado, com 0-0, mais tranquilo o intervalo no balneário, esperando que o seu momento no jogo (um contra-ataque, uma bola parada ou...perdida, surgisse no segundo tempo), enquanto Sampaoli procurava manter a motivação sempre com bola do “exército do passe” chileno. A estabilidade táctico-emocional das equipas, depende muito das expectativas que criam para o jogo, no seu plano para o ganhar.

O Uruguai tinha o objectivo de limitar a velocidade dos chilenos. Não o que eles pudessem correr, mas nos movimentos e locais por onde pudesse entrar em velocidade a bola na sua organização defensiva. Ou seja, não lhe dar o tal “metro quadrado”, que podia fazer a diferença para criar uma linha de passe de ruptura mortífera.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 14Sampaoli também soube equilibrar mais o seu onze e deixou cair a defesa a “3”, surgindo com a clássica linha de “4” (4x3x3). Em vantagem numérica, meteu mais um médio-ofensivo (M.Fernandez) e um ponta-de-lança (Pinilla), mas o jogador que acabou por ser sempre o “fiel táctico da balança”, é aquele talvez o menos previsível do seu meio-campo: Aranguiz.

Previsível, só a intensidade permanente com que joga, mas depois, tanto pode crescer, subir como elemento estranho ofensivo, como manter-se atrás, junto de Diaz, para os laterais subirem. O golo surgiu quando Muslera já não conseguiu ver a bola partir, com tantos defesas à sua frente na área. Foi num “metro quadrado” que Isla rematou.

Valdívia: falso 9 ou... falso 10?

COPA AMÉRICA 2015 DIA 12Segue em frente um dos nº10 mais genuínos da América do Sul: Valdivia, claro.
Não é fácil, porém, logo no inicio, atribuir-lhe esse rótulo, sem hesitar. Porque, no sistema, ele surge no centro do ataque, com Alexis e Vargas, a entrar desde as faixas. Nessa estrutura, Valdívia parece então mais um falso 9 do futebol moderno. O jogo desenrola-se, percebem-se os princípios das movimentações chilenas e repara-se que, no fundo, Valdivia é, em rigor, mais um falso...10 do que um falso 9.

Todo este “jogo de enganos” das suas movimentações resulta, porque em vez de entrar de trás para a frente, como um falso 9 (ou um 10 segundo-avançado), faz antes movimentos de recuo, da frente para trás, para pegar na bola em zonas mais atrasadas e então jogar de frente para o jogo.

Confuso? É nessa altura que tudo se simplifica, porque é quando o nº10 que traz na camisola combina de forma perfeita com a forma como joga.

Conclusão: é um falso 10 na estrutura inicia,l que no decorrer do jogo se torna um... verdadeiro 10. Esqueçam, portanto, o 9 falso. Valdivia só conta as mentiras que quer.