COPA AMÉRICA 2015 DIA 15

31 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 15

DIARIO DA COPA AMÉRICA 15

Serenamente, com a bola, à espera do golo

Sintomas de jogar pensando. O Peru de Ricardo Gareca continua esta sua saga tática de bom futebol na Copa América.

Em geral, as equipas quando lhes faltam os seus dois médios-centro de referencia, sofrem um forte abalo nos seus pilares táticos de equilíbrio de jogo. Perdem a terra firme para pisar durante o jogo porque os médios ofensivos, alas e avançados, sentem a falta de quem os proteja. O onze peruano não tinha Lobatón – o relógio- e Bállon - gestor de espaços- para o jogo com a fechada Bolívia. Nos seus lugares, surgiram Yotún e Retamoso. A experiência que ambos possuem por estes terrenos e forma de jogar (sem sentir pressão para aumentar o ritmo, antes, pelo contrário, garantir o normal rodar dos ponteiros do relógio, isto é, a normal circulação da bola, lateralizando, desde essa zona inicial de contenção e construção) garantiram que todo continuasse taticamente imperturbável.

Terá perdido a distribuição mais serena de Lobatón, mas compensou com um pouco mais de objectividade a lançar o contra-ataque rápido. Ou seja, manteve-se a disciplina posicional, aumentou a amplitude em profundidade do passe.
A organização do Peru é, também, a base da ... desorganização que promove na frente com Cueva em velocidade. O regresso de Farfán para jogar desde a faixa, como aprendeu na Bundesliga no Schalke, deu o poder atlético a atacar que garante que a bola depois de lá entrar não saia daquelas zonas adiantadas com facilidade.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 15Outra coisa que este Peru tem num estilo e qualidade que já não há muito pela Europa fora é um ponta-de-lança como Guerrero. Não o acho com nível de Bayern (onde esteve), mas julgo que é curto para ele o futebol brasileiro (vai do Corinthians para o Flamengo). Uma boa equipa média-alta europeia seria o ideal.

Porque tem presença, inteligência de desmarcação em força e frieza a finalizar, de pé e cabeça, sem ter de correr muito para encontrar essas oportunidades. Ele sabe onde se deve colocar para elas virem ter com ele. Vai continuar a ficar por esses territórios na meia-final com o Chile. Serenamente à espera do seu... golo.

Trocar defesas por... laterais

COPA AMÉRICA 2015 DIA 15A Bolívia despediu-se da Copa América e todos sentimos que foram mais longe do que as suas qualidades autorizavam. Tentou forçar mais um pouco, com a estratégia mais defensiva que apresentou neste torneio: um sistema de 5 defesas. A falta de intensidade de pressão a meio-campo comprometeu, porém, essa linha defensiva tão povoada. Bastou perder uma/duas bolas quando tentava atacar e logo foi apanhada desorganizada e desalinhada. 2-0.

A alteação que o técnico Soria tentou na segunda parte, mostra como quis iludir a linha de 5 defesas para, mantendo os três centrais, trocar os laterais (metendo Escobar-Smedberg nessas posições como “carrilleros” e Lizio a médio-segundo avançado, num esquema que passava de 5x4x1 para 3x4x1x2). A equipa adiantou-se alguns metros no terreno mas não basta a posição do bloco subir um pouco para logo passar a atacar melhor. No fundo, até serve mais para defender melhor. Para atacar necessitava doutro plano desde o inicio.
Fica a ideia que o futebol boliviano necessita de uma mais perspicaz orientação táctica. Com ou sem altitude.