COPA AMÉRICA 2015 DIA 16

31 de Julho de 2015

A relação com o jogo ou a relação com o golo

Não é um hábito saudável no dito futebol moderno (é algo que vem mais de velhos tempos) mas continua a ser legitimo um treinador destacar um dos seus jogadores para marcar individualmente outro, o melhor, da equipa adversária. Assume ficar a jogar com menos um (no sentido de autodeterminação do jogo, pois passa a correr por onde a ameaça individual for) para que o mesmo suceda com o adversário. No fundo, colocar o jogo... dez contra dez.

As coisas não são, porém, assim tão simples. Sucedeu com Arias contra a Argentina, ou melhor, contra Messi. Adaptado para o lado esquerdo da defesa (ele que é destro, lateral-direito) ia buscar Messi também por dentro. Nessa altura gesticulava rápido para Ibarbo, metido a ala-esquerdo, fechar rapidamente o espaço recuado no seu corredor, que deixara aberto por ter saído da sua “casa táctica”, para ir perseguir o potencial assaltante argentino.

O problema, durante muito tempo, é que a missão não se esgotava ai. Pekerman também queria que ele fosse lateral. Não era possível, porém, ser as duas coisas, pelo que esta marcação individual, para ser feita, teve de ter o contributo... coletivo. Parece um paradoxo táctico e se calhar até é.

Mais perturbante será constatar que essa marcação individual até nem correu mal. Durante muito tempo atirou mesmo Messi para espaçosCOPA-AMÉRICA-2015-DIA-15 mais recuados, sem ver como furar as barreiras que lhe iam criando. Na parte final, com o cansaço acumulado, Arias já se fixou mais no seu local, na lateral, e Messi apareceu mais perigoso. Não chegou, até porque na baliza estava uma máquina de “defesas impossíveis”, Ospina.

Esta Argentina joga bem mas custa-lhe muito fazer golos. Mas, olhamos para o que tem ao dispor na frente, Aguero, Higuain, Tevez, Lavezzi, Di Maria, Messi, e perguntamos, intrigados, “mas como é possível a equipa não ter golo com estes goleadores todos??”. Não existem explicações tácticas para isto. Porque o coletivo cria muitas oportunidades. Diria que a relação com o jogo é uma coisa, e a relação com o... golo é outra.

Moral da história: No futebol, como na vida, não existem relações perfeitas.

 

Com pesos amarrados aos pés

Pekerman montou uma estratégia de jogo para passar 90 minutos sem... disputar o jogo. Ospina quase que lhe dava razão. Faltou só mais uma “defesa impossível”, num penalty. Ver James hipotecado a uma estratégia destas é como ver o bom futebol a tentar correr em campo como um presidiário a tentar fugir com um peso amarrado aos pés. Uma imagem que ilustra o plano de jogo mais frustrante que vi nesta Copa América. Porque esta Colômbia tem jogadores para jogar outro tipo de jogo.

A opção de Pekemann levou a que no fim, nos comentários da TV colombiana, os jornalistas cafeteros dissessem não entender porquê esta seleção mostra tanta dificuldade em tocar, segurar e trocar a bola. Uma pergunta incómoda para quem pertence à “pátria do toque”.

A questão, porém, é que esta seleção (embora sem os pivots ideais disponíveis para o começar a fazer à frente da defesa) tem capacidade para isso. O plano que lhe metem na cabeça e nas botas é que é diferente. Quase o oposto. E o mais inquietante é que ia dando resultado. Seria a Colômbia de “pernas para o ar”.