Copa América 2015 Dia 18

31 de Julho de 2015

 

Quem pensa e treina melhor na América do Sul?

As meias-finais da Copa América são a prova do que se vê em campo. Quatro seleções, quatro treinadores argentinos. Martino (Argentina), Sampaoli (Chile), Gareca (Peru), Ramon Diaz (Paraguai). Nos quartos, num confronto direto, ficou Pekerman (Colômbia).

COPA-AMÉRICA-2015-DIA-15Na forma de pensar o jogo tacticamente, plano inicial, estratégia, alteações durante o jogo, desde treino e pensamento, os treinadores argentinos estão na vanguarda da escola táctica sul-americana. Não existe comparação com o cenário brasileiro, preso no “velho testamento” de Scolari e Dunga. É, também, no caso brasileiro, uma questão de falta de sensibilidade de quem manda para detectar onde está o conhecimento. Mano Menezes foi afastado perto do Mundial, Tite nunca teve oportunidade na seleção e talvez o seu treinador mais “europeizado” das ultimas décadas, Luxemburgo, tornou-se, pela sua personalidade contestatária, “persona non grata” a esse nível. O Brasil desconfia dos seus técnicos que surjam com novas visões. O culto da “dungazização” da abordagem do jogo, levou o futebol brasileiro para um beco sem saída. Só os seus craques, a espaços, podem iludir.

Martino, Sampaoli, Gareca e Ramon Diaz personificam ideologias diferentes cada um. Sampaoli foi o que se fez mais fora da “escola gaúcha”, treinando pelo Peru, Equador e, claro, o Chile, onde inventou a bela equipa do Universidad de Chile e ganhou a Copa Sudamericana com um estilo de jogo decalcado agora para a seleção. É, dos quatro, aquele que, com preferencialmente uma defesa a “3”, mais arrisca no jogo, mas também aquele, quando as circunstâncias pedem, que melhor fecha a equipa a defender atrás da linha da bola.

Martino é o maior adepto do jogo apoiado. Foi por ter essa ideia que chegou ao Barça. Esta Argentina, como todas as suas equipas, jogam muito bem até 20 metros da baliza e depois custa-lhes encontrar o golo colectivamente. Têm melhor relação com o jogo do que com o golo. Em relação ao seu habitual modelo noutras equipas, falta-lhe o chamado “jogo profundo”, busca da profundidade mais longa para fugir à previsibilidade crescente da posse e abalar o adversário.

 

O que pode valer Ramon Diaz?

Gareca é aquele que mais cresceu nas entranhas do futebol argentino (embora também passando por equipas da Colômbia e Perú), desde as profundezas de bancos como os de Talleres, Colón, Argentinos, etc, até à consagração no Veléz. As suas equipas nunca crescem com o dogma da posse, que tanto apaixona a moderna escola hispânica.

Será aquele que melhor organiza as equipas como bloco, juntando mais as linhas. Percebe as limitações das suas equipas antes das suas forças. Uma forma de ser e pensar que nasce das lutas que teve de travar no seu crescimento em equipas ditas mais pequenas. Este Peru (que só surpreenderá quem não conhecia Gareca) é um exemplo disso.

Ramon Diaz chega ao Paraguai com a imagem ofensiva que criou no River. Soube, porém, adaptar-se à visão mais conservadora guarani, tradicionalmente dona do estilo mais defensivo da América do Sul. Nos quartos-de-final com o Brasil, porém, mudou o “chip” dos intérpretes e fez, na hora da verdade, “outro jogo”. Será o técnico argentino mais em formação ou em... transformação?