Copa América 2015 Dia 21

31 de Julho de 2015

Por onde Messi (sem marcar) está a fazer a diferença

Será dos melhores temas de análise antes da Final: a que nível está verdadeiramente a jogar Messi nesta Copa América? A questão tornou-se mais interessante após a exibição contra o Paraguai, um jogo em que a Argentina marcou seis golos e Messi nenhum. Mas se há altura em que o futebol de Messi não pode ser avaliado pelos golos é agora.

COPA-AMÉRICA-2015-DIA-15Este será, talvez, o torneio em que estou a ver Messi a jogar mais longe da baliza desde sempre. Vem buscar muito jogo atrás e depois “busca associar-se” (como dizem os argentinos) com os avançados puros, Aguero-Di Maria, que estão à sua frente.

A parte final da última frase parece que coloca Messi fora da casta de avançados do onze, mas vendo o seu jogo com o Paraguai, era até difícil dizer que jogava como segundo-avançado, era mais um interior que armava o jogo. Isso permitia aparecer um terceiro avançado (e muitas vezes mesmo no envolvimento das jogadas coletivas, o famoso “terceiro homem” da ideologia-Cruyff). Ele era Pastore, liberto para receber mais à frente. O oposto, na interligação Messi-Pastore, do que acontecera no inicio.

Jogando a partir deste espaço, Messi não marcou, mas participou em todos os golos. Associando-se sempre com os avançados mais Pastore. Um posicionamento (e dinâmica subsequente a partir dele) que confundiu as marcações paraguaias. Martino vira contra a Colômbia a marcação individual que Pekerman lhe fizera e retirou-o dessas zonas. Deu-lhe um espaço para o seu futebol começar a respirar mais tranquilo.

Cada vez mais, penso que o futebol de Messi vai começar a passar por estes novos territórios. Não fugirá da zona de finalização, mas vejo-o a evoluir mais no plano do jogo (desembrulhar de marcações, descobrir espaços e pôr o ataque na cara do golo com um simples passe).

O resto, são aqueles arranques serpenteados, como quando no 4-1 fugiu, deixando três paraguaios “patas arriba” (o último com um túnel), e deu o golo.

Foi o seu melhor jogo na Copa América, numa goleada por 6-1 em que não marcou, mas que inventou tudo o que aconteceu em cima da baliza paraguaia.

A mudança de modelo

O Paraguai acabou por cair agarrado às suas convicções táticas mais profundas. Apesar do belo jogo anterior com o Brasil, Ramon Diaz já tinha Ortiz disponível e assim, juntando-o a Cáceres, voltou a formar o núcleo duro do duplo-pivot defensivo. A velha estratégia de fechar atrás da linha da bola e tentar o contra-ataque foi utilizada sem dilemas estéticos.

Perdeu de forma clara sobretudo porque já não pressiona no meio-campo. Agora é mais uma equipa de reorganização rápida a fechar.

Ramon Diaz quer colocar o bloco da equipa mais subido e assumir um jogo mais envolvente no meio-campo ofensivo. Ainda é cedo para conseguir isso. Já é tarde para o conseguir com estes jogadores.

O Paraguai necessita de um novo grupo-base de jogadores, sobretudo médios e avançados, que percebam este novo modelo, mas sem perder em termos de segurança defensiva o traço que o modelo guarani anterior teve, como base dos bons resultados.

É esta a situação da atual seleção paraguaia. Por isso as sensações de jogo tão contraditórias que deu nesta Copa América.