Copa América 2015 Dia 22

31 de Julho de 2015

Que momentos e espaços podem decidir a Final?

Chile-Argentina, final da Copa América. Que chaves podem ditar o jogo e seu resultado?

A Argentina de Martino é uma equipa que colocou as suas individualidades mais mágicas dentro do coletivo e assentou numa estrutura de 4x3x3. O forte do seu jogo foi-se solidificando ao longo do torneio sobre o corredor central, com o protagonismo desde o inicio de Pastore, principiando a pegar no jogo atrás e, agora, nesta parte final, a receber o jogo à frente.

Uma equação que fez de Messi um surpreendente “interior armador” mais recuado, traçando as diretivas do jogo (no passe) e nos seus arranques desequilibradores (procurando furar pelo centro mas em vez de arrancar da faixa, agora, fá-lo um pouco mais por dentro, iludindo os marcadores de faixa).

O Chile de Sampaoli é uma equipa que se desdobra em pleno jogo, pedindo multifunções aos jogadores, começou numa estrutura de defesa a “3” (espécie de 3x4x1x2, com Valdivia falsCOPA-AMÉRICA-2015-DIA-15o 9 e falso 10 alternadamente no centro, dando as faixas às diagonais de Vargas e Alexis para surgirem entre os centrais adversários), até à clássica a “4” (em 4x3x1x2, novamente com Valdivia a mentir com e sem bola nos pés, respectivamente na execução ou no posicionamento).

Em qualquer das alternativas, o Chile não tem um ponta-de-lança (a grande lacuna da dourada geração europeia chilena). Na Argentina existe Higuain, mas quem toma conta desse espaço é a movimentação de Aguero.

Sendo evidente como as equipas se podem estruturar (e dinâmicas que alternadamente podem surgir a partir daí) a questão coloca-se na forma de defender mais do que na forma de atacar.

Poderá ser, acredito, por este factor, que o jogo se irá desequilibrar. Quem se expuser mais (na organização e na maior demora nessa... reorganização pós-perda da bola) estará condenado. Nesse ponto, em relação aos últimos jogos, talvez seja a Argentina que tem de mudar mais.

O Chile tem princípios defensivos mais... criativos. Não se incomoda com o desequilíbrio natural que possa ter mesmo na estrutura. A Argentina já sofre mais nesse momento lunar do jogo, porque faz menos pressão a meio-campo, embora tenha melhorado com Biglia plantado perto de Mascherano.

 

Onde está o maior risco de erro?

A maior preocupação defensiva argentina resulta, paradoxalmente, da forma como quer atacar. Ou melhor, da forma como quer... começar a atacar: a saída de bola desde trás, alargando o campo, com centrais abertos, Mascherano a pegar e laterais projetados. Nessa altura, com a pressão alta individualizada que o Chile faz, o risco de erro ou descoordenação nos apoios aumenta.

Este factor diz que o Chile vai ter por natureza espaços para atacar. A forma como os irá aproveitar dependerá da capacidade e local onde recupere a bola.

Numa defesa a ”4” que não expõe muito o pivot Diaz que, em geral, recebe e sai a construir já na frente dos centrais (e sempre apoiado por Aranguiz, guarda-costas tático), o Chile não corre tantos riscos na saída de bola.

A pressão argentina não é muito forte nesse momento. Prefere reorganizar-se e pegando na bola começar a construir outra vez. Tem jogadores para deixar descansados os devotos da posse: "se posso chegar à baliza adversária enganando-os/mareando-os com 14 toques, não vou denunciar logo tudo com 3 ou 4 na busca imediata da profundidade".