Copa América 2015 Dia 23

31 de Julho de 2015

Ganha-se a jogar melhor ou ganha-se a jogar mais?

O dilema: defender com defesa a “3” ou clássica a “4”? Olha-se a ficha do jogo e parece claro que Sampaoli vai optar pela linha de quatro defesas. Mas o jogo começa e logo se vê um desenho diferente. Quem é o terceiro central? É o pivot que recuou para o meio do trio de defesas, Marcelo Diaz, e surge, por fim, “El Gato” Silva no onze, ele que é médio, como... defesa-central pela direita. A criatividade... defensiva do Chile voltava a emergir no último jogo, o da grande decisão. Mesmo uns passos atrás, Diaz assume a saída de bola. Todos por perto sabem que tem essa missão e afastam-se para ele a fazer (Aranguiz é o pivot mas só de marcação).

COPA-AMÉRICA-2015-DIA-15O jogo não teve, no entanto, esse traço tão construtivo. Em vez de “habilidade contra habilidade”, ambas as equipas assumiram um jogo de “pressão contra pressão”. Neste cenário, os mais criativos jogam como a tentar fugir de quem os quer caçar.

Valdivia vai pegar mais atrás para fugir do duplo-pivot Mascherano-Biglia que “morde”. Messi volta a jogar pelo centro, vagueia pelo campo à procura de espaços, mas quando os tenta invadir com a bola é um exército chileno que lhe sai em cima. Eclipsado Di Maria, são os arranques de Vargas e os curtos momentos/espaços em que se descobre que Pastore está em campo que ameaçam mais o perigo.

Com tanta “pressão” começa a pensar-se que a questão-física pode ser decisiva. Um jogo de alto nível táctico mas com a técnica quase sufocada. O preço de “metro quadrado de relva” está tacticamente proibitivo. Percebe-se ao fim de pouco tempo que em vez de ir ganhar quem jogar melhor, irá ganhar quem jogar... mais. A busca da profundidade, o passe longo, torna tudo ainda mais previsível. Ao Chile falta-lhe o último passe. À Argentina falta-lhe mais passes atrás antes desse fatal. Tirar Valdivia e Aguero causa perturbação.

Sampaoli e Martino tentam dar estabilidade de jogo e oxigénio às suas equipas. Por isso, entram Banega e Matias Fernández. Eles funcionam como um “pacemaker” de técnica controladora de ritmos.

Na última jogada, o contra-ataque e, por fim, detecta-se um ponta-de-lança em campo, Higuain. Chega tarde, falha, e o “império da pressão” ganha (empata) o jogo. Sem golos.

alexis penaltie copa américa 2015

O toque subtil mais forte

As faces do prolongamento: o olhar imperturbável de Otamendi nos cortes; a ansiedade de Vidal por chegar a cada vez menos bolas, quase a jogar como avançado-centro; o olhar posto na relva de Vargas no momento da substituição; o esgar de dores das cãimbras de Mascherano, pelo chão, após falhar o corte numa bola longa e ver Alexis fugir isolado para a sua baliza (chutou por cima). Imperial, Medel tira tudo.

Nenhuma equipa ousou dar o “ultimo passo” de risco ofensivo. Duas seleções que amordaçaram um jogo em que traíram o seu estilo. O Chile arriscou mais, mas sem nunca sequer se parecer ao que foi nos jogos anteriores. A Argentina nunca mexeu uma peça do meio-campo e deu-lhe mais um elemento para, a meio da segunda-parte, o “meter no bolso”, Banega.

Na entrada para os penaltys, o protagonismo passa para quem teve a noite mais tranquila em campo: os guarda-redes, Bravo e Romero. Um pontapé para o céu de Higuain e um toque subtil de Alexis, o último da Copa América, fazendo a bola entrar mansamente. Era um remate. Um toque para a história do Chile!