COPA AMÉRICA 2015 DIA 3

24 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 3

DIARIO DA COPA AMÉRICA 3

Argentina: com o "revólver na nuca"

Com fazer rodar um revólver que, só com uma bala, passava alternadamente de uma equipa para a outra, o jogo torna-se numa “roleta russa"? Sucedeu no Argentina-Paraguai. De repente, o relvado fica cheio de espaços vazios, “partem-se” as marcações e cada lance de ataque é uma oportunidade.

É intrigante perceber como um jogo fica assim. Sucede porque ambas equipas o permitem, mas o preocupante neste caso é o onze argentino, em vantagem (2-1), não impedir essa vertigem de longos minutos.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 3Depois das invenções de Messi, Aguero e Di Maria, necessitava doutra face no jogo: o controlo a meio-campo. Esta Argentina não tem, porém, médios com essa capacidade de “congelar jogo”. Mascherano (que jogou a 6) já perdeu essa vocação tal o tempo que leva a central. Quando é para por a “faca nos dentes” a defender cumpre, mas quando é para pôr gelo no jogo e segurar a posse, fica bloqueado. Pastore é um poema de técnica mas lento e virado para frente. Banega continua a ser um jogador com “cara de susto” nestes momentos, precisa de outros que nas costas façam “trabalho tático”.

Fica a sensação que a Argentina pode ganhar pelos avançados e segurar um resultado pelos defesas, mas pode sempre perder (o jogo, seu controlo e resultado) pelo meio-campo. Uma grande equipa não pode transmitir esta permanente sensação de que se vai desequilibrar.

Para tentar “matar” o jogo, Tata Martino meteu mais dois avançados, Tevéz e Higuain. Para tentar segurar o jogo, lançou Biglia. E, assim, um jogador estruturalmente banal, pode-se tornar como um elemento quase chave numa equipa, em face da importância tática das coisas banais que faz (segurar, tocar, rodar, tocar…) e lhe dá nos momentos em que mais precisa.

O “bom futebol em concreto”, aquele que responde ao que o jogo precisa, é feito muitas vezes de coisas banais e simples. A Argentina não entende essa banalidade, nem sabe viver nela. Prefere o revólver a mudar de chuteiras em chuteiras até, quase no fim, explodir na sua baliza (2-2). Algo está mesmo errado em tudo isto.

Reaprender com os velhos sábios

COPA AMÉRICA 2015 DIA 3O Paraguai entrava a olhar para o banco argentino, para Tata Martino, que saíra do “leme guarani” há quatro anos (e foi aos quartos do Mundial). Depois, falharam Chiqui Arce, Gerardo Peluso e Victor Genes. Com outro argentino, Ramon Diaz, resgatou um bloco mais coeso nas ligações entre os três sectores.

Diaz não quer renovar a seleção. Quer devolver-lhe competitividade. Assim, aposta na experiencia (taticamente em vez do fixo 4x2x3x1, varia entre o 4x4x2 e o 4x3x3 assimétrico) e nos velhos Santa Cruz, 33 anos, Lucas Barrios, 30, Valdez, 31, na frente; Ortigoza-Caceres, ambos 30, no duplo-pivot; e Da Silva, 35, a central. Talentos como Sanabria, Torales, Benitez ou Romero vão esperando.

Foi com essa experiência que tornou um jogo perdido num duelo a “coração aberto”. Notável a garra experiente de Valdez (e com golão fora da área). Um avançado-centro que não se importa de não o ser no jogo para jogar solto ou vir desde a esquerda trincar a língua com técnica.

O empate no último minuto é a melhor forma de ilustrar este “sábio futebol dos velhos caminhantes”.