COPA AMÉRICA 2015 DIA 4

24 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 4

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 4

Os melhores sonhos de Venezuela e Perú

Arrancar um torneio defrontando os maiores monstros. Para as selecções ditas “filhas de um Deus futebolístico menor” este é o grande desafio ao seu carácter e inteligência estratégica. Venezuela e Peru frente a Colômbia e Brasil. Não existe a pretensão de ser superior, existe o objectivo de discutir o resultado (e o jogo na medida do possível).

A Venezuela é, claramente, a selecção que cresceu mais nos últimos anos na América do Sul. Este maior nível competitivo resulta essencialmente da subida da sua inteligência de jogo. Arango é, aos 35 anos, um avançado convertido em 10 com as “mãos nos bolsos”, atrás de um nº9 peitudo, Rondón, que quando arranca na perseguição da bola na sua frente parece que procura fazê-lo passando no caminho por cima de um central adversário. Joga num 4x2x3x1 com dois médios-centros “mordedores da bola” (Rincon-Sejas) e alas que avançam-recuam (Vargas-Guerra). Não dá passos em frente de risco antes de perceber o jogo e garantir que deixa o seu processo defensivo equilibrado. Ganhou 1-0.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 4O Peru busca subir o nível competitivo, mas Farfán já não tem jogo de cintura para jogar entrelinhas a 10/segundo avançado atrás de Guerrero (em 4x2x3x1). Tem alas (Sanchez-Cueva) que recuam logo mal perdem a bola e assim fecham a equipa a defender num 4x4x2 a toda a largura do terreno. Neste contexto, defrontar o Brasil é um exercício táctico de transição e organização ofensiva. Bem o interior Lobatón (no duplo-pivot) a encher a meia-esquerda. Com laterais (Advincula-Vargas) a subir, o técnico argentino Gareca monta um bloco coeso. É o melhor princípio para fazer uma equipa. Falta agora dar-lhe poder de desdobramento pós-recuperação. Perdeu 1-2.

O processo de construção do jogo duma selecção que quer surpreender, tem de começar por este estado de “consciência táctica”. Fazer mais depende de como se desenha a coragem dos últimos 30 metros. Guerrero e Rondon são, nesse ultimo grito, arranque ou remate, “assaltantes solitários”. O destino dos pontas-de-lança que vivem no fim dum onze como numa “ilha”.

Um “triste tigre”

COPA AMÉRICA 2015 DIA 4A forma como a Venezuela começou olhando a Colômbia revelava respeito, mas este onze “cafetero” é hoje uma equipa perdida num sistema indefinido (parece um 4x4x2, com Bacca-Falcão na frente, mas, com Cuadrado aberto na direita, falta-lhe um ala à esquerda, pois James assume-se como 10 e, assim, é o lateral Armero que faz todo o corredor desde trás).

Depois, são os craques em crise existencial. O caso mais evidente é, claro, Falcão, hoje um “triste tigre”, lento no ataque à bola, a quem custa mudar de velocidade (perdeu o poder de arranque). Parece que o seu joelho já não aguenta o peso do resto do corpo. Luta há ano e meio por recuperar física-desportivamente da lesão. É perturbante olhar para ele e ser logo visitado pelo seu “fantasma do passado”.

Na tentativa de equilibrar o meio-campo, Pekerman a lançou Cardona (Monterrey) a médio-centro recuado quando costuma jogar mais adiantado. Perdeu, mas o mais preocupante é sentir que mais do que do jogo, tal resultou da sua crise existencial, colectiva e individual.